Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

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Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

Mensagempor Bereano » Ter Nov 16, 2010 1:31 pm

Neste tópico vou colar os capítulos desse livro "Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam" por Harry Tennant.

A tradução está em curso, são 27 capítulos no total.

Você pode baixar os arquivos dos capítulos em formato pdf: Aqui
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Re: Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

Mensagempor Bereano » Ter Nov 16, 2010 1:36 pm

CAPÍTULO 1 - A BELA TERRA

Nunca, desde os primórdios da história o homem teve tanto conhecimento como
tem hoje sobre o planeta em que habita. Nunca antes esteve tão profundamente consciente do grande desconhecimento para além dos limites do seu conhecimento atual. Um dos maiores
frutos das suas conquistas é o sentido que ele ganhou da vastidão de todas as coisas grandes e pequenas.

Ao mesmo tempo, há uma crescente percepção da unidade das coisas. Existe um acordo base, uma correspondência entre os princípios que regem o arranjo e organização de todas as coisas. Há relacionamentos, equilíbrio e interdependências que falam mais e mais de um sistema de pensamento por trás de tudo. O mundo é uma unidade.

Além disso, a própria terra dentro do sistema solar faz parte de um vasto conjunto celeste que se estende em incontáveis repetições e variações, tudo sendo regido por leis físicas, tais como são encontradas no nosso minúsculo mundo. Tudo, em todos os lugares revela ordem inteligente e coerência, e um grande poder que é universal e infalivelmente presente.

A Bíblia sozinha coincide com o mundo à nossa volta com uma explicação da origem das coisas que é simples e abrangente:

“No princípio, criou Deus os céus e a terra.” (Génesis 1:1)

De um Deus veio tudo o que existe. Dia e noite, terra e céu, mar e terra, erva e árvores, peixes e pássaros, animais e insetos, e, por último, mas supremamente, o homem. Deus é a Unidade por trás, por dentro e em torno de tudo. A Sua Palavra é a sabedoria e razão e ordem em todas as coisas. O Seu Espírito é a força pela qual Ele produziu em sabedoria a criação e ainda a sustenta.

Um começo sem Deus significaria um desenvolvimento sem Deus e um final sem Deus, o que quer que isso pudesse ser. Em tal caso o homem não saberia de onde veio, porque está aqui e para onde
está indo. O universo estaria sem piloto e sem propósito. Não haveria nenhuma mente para explicar a complexa unidade de todas as partes do universo e de tudo o que se encontra nele.

O homem seria um prisioneiro em uma gaiola de um poderes não inteligentes maiores do que ele, um cativo que vê em um cosmos cego. Não haveria explicações exatas para o que somos e onde estamos, e inevitavelmente, não existiriam motivos para esperança, mas simplesmente um tatear esperançoso na escuridão nunca com a possibilidade de encontrar uma Mão para segurar. O homem
seria o seu próprio "criador", mas sem poder para governar e determinar o seu destino. Ele seria como um navio à deriva em um vasto oceano, sempre incerto de encontrar terra ou se haveria qualquer terra para encontrar.

Em maravilhoso e lúcido contraste para a insensatez do ateísmo existem as seguintes palavras da Escritura:

Sobre Deus:

“Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da terra?” (Jó 38:4)


“Acaso, não sabeis? Porventura, não ouvis? Não vos tem sido anunciado desde o princípio? Ou não atentastes para os fundamentos da terra? Ele é o que está assentado sobre a redondeza da terra, cujos moradores são como gafanhotos; é ele quem estende os céus como cortina e os desenrola como tenda para neles habitar;” (Isaías 40:21 - 22)

“Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra, nem se cansa, nem se fatiga? Não se pode esquadrinhar o seu entendimento.” (Isaías 40:28)

Sobre a terra e as suas maravilhas:

“Do alto de tua morada, regas os montes; a terra farta-se do fruto de tuas obras. Fazes crescer a relva para os animais e as plantas, para o serviço do homem, de sorte que da terra tire o seu pão,o vinho, que alegra o coração do homem, o azeite, que lhe dá brilho ao rosto, e o alimento, que lhe sustém as forças. Que variedade, SENHOR, nas tuas obras! Todas com sabedoria as fizeste; cheia está a terra das tuas riquezas. Eis o mar vasto, imenso, no qual se movem seres sem conta, animais pequenos e grandes.” (Salmo 104:13 -15, 24 – 25)

Sobre os céus:

“Inclina, Jó, os ouvidos a isto, pára e considera as maravilhas de Deus. Porventura, sabes tu como Deus as opera e como faz resplandecer o relâmpago da sua nuvem? Tens tu notícia do equilíbrio das nuvens e das maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento?” (Jó 37:14 – 16)

“Ou poderás tu atar as cadeias do Sete-estrelo ou soltar os laços do Órion? Ou fazer aparecer os signos do Zodíaco ou guiar a Ursa com seus filhos?” (Jó 38:31 – 32)

“Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez. Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas.” (Génesis 1:14 – 16)

“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos.” (Salmo 19:1)

O Sumário Divino:

“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais; de um só fez toda a raça humana para habitar sobre toda a face da terra, havendo fixado os tempos previamente estabelecidos e os limites da sua habitação; para buscarem a Deus se, porventura, tateando, o possam achar, bem que não está longe de cada um de nós; pois nele vivemos, e nos movemos, e existimos, como alguns dos vossos poetas têm dito: Porque dele também somos geração.” (Atos 17:24 - 28)

Certamente ninguém pode ler estas belas palavras da Escritura, sem ficar impressionado com a sua majestosa simplicidade. São ao mesmo tempo abrangentes e profundas. Há instrução e conforto para o homem comum da rua, e é suficiente para o homem educado do século XXI . A Unidade das coisas é explicada: tudo vem de um só Deus. Uma sabedoria permeia tudo. Um poder sustém os céus, contém os poderosos mares, é a fonte de toda a vida, está por trás do poder do átomo e os
instintos dos seres vivos, e pinta as asas da borboleta e o céu poente. O infinitamente grande e o infinitamente pequeno são igualmente o trabalho do Seu poder criativo e se encontram dentro do âmbito do Seu controle.

E o melhor ainda está para vir! A Criação não é um fim em si mesma. Há mais para vir. Glória maior do que jamais se viu encherá este planeta. O propósito de Deus tem um esplendor e uma promessa guardados que todos nós podemos compartilhar. Na verdade, é este propósito e nossa participação nele que nos propomos a analisar nas páginas que se seguem.
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Re: Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

Mensagempor Bereano » Ter Nov 16, 2010 1:42 pm

CAPÍTULO 2 - O HOMEM: BOM OU MAU?

Quão complexa criatura é o homem! Constantemente criativo, produz maravilhas na terra, no mar e no céu. Sondas feitas pelo homem têm penetrado na margem mais próxima do universo e examinaram os recessos íntimos do corpo humano. Dispositivos feitos pelos homens em tempos de guerra deixam multidões mortas ou mutiladas, enquanto as mesmas cenas de carnificina são iluminados por atos de heroísmo e altruísmo que atraem o respeito de amigos e inimigos.

As páginas da história e da vida quotidiana são preenchidos com uma estranho paradoxo. O homem é uma mistura desconcertante. Milhares de pessoas são movidas pelo carinho, cuidado e compaixão para com o próximo, e dedicam as suas vidas em serviço constante, sem levar em conta o custo. E, no entanto, todos os dias, acontecem atos de brutalidade e opressão, violência e assassinato, às vezes envolvendo bebés e crianças ou idosos e desamparados.

Mesmo os maiores génios e os mais dedicados estadistas têm tomado decisões que resultaram na destruição de cidades inteiras em um instante de tempo, obliterando jovens e velhos, e mulheres, fracos e fortes. Aqueles que sobreviveram são deixados com memórias de horror apavorante, e muitas vezes com cicatrizes ou ferimentos internos que carregarão para o resto da suas vidas incertas.

Como é que o homem, a partir da mesma fonte, traz à tona várias vezes coisas de beleza e de repulsa doentia? Porque está marcado o diário do homem por passos maravilhosos em frente e depois retornos à quase pura bestialidade, como se o melhor nunca tivesse existido? Será que o homem é simplesmente um animal que de tempos em tempos volta à selvajaria do mato? Ou há alguma falha numa peça de que de outro modo seria perfeita, como uma fissura num sino ou um nó num belo pedaço de madeira?

Shakespeare, com um propósito diferente, deu uma imagem do presente paradoxo:

“Que obra-prima, o homem!
Quão nobre pela razão!
Quão infinito pelas faculdades!
Como é significativo e admirável na forma e nos movimentos!
Nos atos quão semelhante aos anjos!
Na apreensão, como se aproxima dos deuses, adorno do mundo, modelo das criaturas!
No entanto, que é para mim essa quintescência de pó?” (Hamlet II, ii)

“Quintescência de pó.” Isso é um dos indicadores do pontos fracos do homem. Apesar da grandeza da mente e da habilidade da mão, no seu fim o homem se deita no sono da morte e a sua beleza se desfaz em poeira. Ele desapareceu. A grande procissão do berço até ao túmulo é impiedosa. Isto tem extraído os versos mais comoventes dos poetas, e músicas de compositores: enche as páginas dos livros e aparece nos dramas de cada país, e é capturado para o olho sobre a tela e em pedra. O problema do sofrimento e da morte tem ocupado a mente do homem ao longo dos tempos. É ainda mais intrigante quando, como às vezes acontece, o pior dos homens morrem em paz em suas camas, e os melhores são vítimas de sofrimento intenso.

O paradoxo da bondade do homem misturada com o mal reflete-se no mundo ao seu redor, as circunstâncias e a natureza parecem conspirar para aumentar o enigma da mera existência. Como é possível explicar a charada? Existe uma explicação que seja suficiente para abranger toda a vida humana?

Sim, há. Além disso, a explicação provê verdadeira esperança, a esperança de perfeita felicidade, a felicidade sem defeito e sem fim.

Se voltarmos ao começo das coisas, tal como descrito na Bíblia recebemos alguns princípios fundamentais, uma espécie de chave para abrir os mistérios aparentes do que vem a seguir. Desta forma podemos começar a responder a algumas das nossas questões mais profundas e encontrar soluções para alguns dos problemas mais intrigantes e persistentes que afetam a todos nós.

A Bíblia nos diz que tudo que Deus fez no princípio era "bom" ou "muito bom". Encontrará isto através da leitura do primeiro capítulo de Génesis. Por favor, leia por si mesmo.

Não há substituto para a leitura da Bíblia. A Bíblia é um maravilhoso construtor da mente. Ela abre a cortina e nos permite ver os porquês e motivos por trás das coisas que são visíveis a olho nu. Além disso, a Bíblia tem um propósito especial:

“As sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3: 15 – 17)

A sua leitura de Génesis 1 vai mostrar que Deus começou com o que é "bom" – veja os versículos 4, 10, 12, 28, 21, 25. O bom Deus fez coisas boas, e quando toda a obra foi concluída Ele declarou que era "muito bom".

A coroa da criação foi o homem. O homem foi único. Foi feito do menor dos materiais, mas foi maravilhosamente feito e Deus lhe deu vida:

“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” (Génesis 2:7)

"À imagem de Deus"

A Bíblia diz-nos algo mais sobre o homem, algo que representa a singularidade que o diferencia do resto da criação. O homem estava diretamente relacionado com o seu Criador:

“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Génesis 1:27)

As expressões “à imagem de Deus” e “à nossa imagem” (veja também o versículo 26) são usadas somente sobre o homem. Neste ponto, a Bíblia não desenvolve tudo o que está por trás dessas palavras intrigantes, mas está preparando-nos para os relatos que se seguem.

A partir da fala quotidiana podemos deduzir algo dos significados de “imagem” e “semelhança”. Falamos de um filho ou filha sendo a imagem do pai ou da mãe, e sabemos o que queremos dizer. Às vezes as semelhanças se estendem até os maneirismos, caráter e habilidade, e essas semelhanças são frequentemente comentadas.

A quem ou a quê é o homem parecido? E de à imagem de quem foi feito? Em primeiro lugar, a Bíblia, num livro mais adiante, diz:

“Contudo, pouco menor o fizeste do que os anjos{ou Deus; Heb. Elohim}.”(Salmo 8:5, RC)

Em alguns aspectos, pois, o homem é como os anjos e em outros ele é atualmente deficiente. Anjos apareceram frequentemente aos homens no tempo da Bíblia e foram descritos como sendo homens, embora muitas vezes eles brilhassem com glória. Veja Génesis 18:1,16; 19:1,15,16, Mateus 28:2-6 e Marcos 16:5-7. Não é que os anjos parecem homens, mas sim que os homens têm algo em comum com a aparência externa dos anjos. O tema dos anjos aparecerá novamente mais tarde.

Mas existe outro tipo de semelhança, para além da aparência exterior? Acreditamos que existe. Ao contrário de todas as outras criaturas, o homem tem uma capacidade de adorar a Deus e de se relacionar com Ele e com o Seu propósito. Ele é capaz de entender o que Deus lhe diz e responder a isso. Além disso, o homem pode orar e ele pode acreditar. Nenhum dessas coisas são involuntárias; cada uma depende da vontade do homem. No entanto, essas habilidades estão latentes em todos os homens.

Assim o homem pode ser obediente a Deus e pode procurar mostrar semelhança com Deus - piedade. Além disso, o homem tem o dom da palavra que lhe permite dar expressão ao louvor e culto: o que ele contempla na sua mente pode ser dado a conhecer por palavras. O homem tem este atributo. Há criaturas que podem imitar sons – papagaios e mainás, por exemplo – e ocasionalmente, Deus tem dado as outras criaturas o dom da fala inteligível (ver a serpente em Génesis 3 e a jumenta de Balaão Números 22); mas só o homem tem o dom combinado de pensamento e a capacidade de expressar o seu pensamento em palavras. Além disso, é essa faculdade do homem que Deus procura empregar quando Ele se revela através da palavra falada e escrita dos Seus profetas.

“Uma alma vivente”

Existe alguma razão fundamental em que o homem seja diferente dos anjos? Por exemplo, a Bíblia nos diz que os anjos não podem morrer (ver Lucas 20:34-36). É o mesmo verdade quando se fala ao homem? Olhe novamente para o ensino básico da Bíblia:

“Então, formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente.” (Génesis 2:7)

O primeiro homem, consistia de “pó” e “fôlego da vida”. No seu todo foi chamado de "alma vivente". Observe que neste versículo o homem não é dito possuir uma alma, mas ser uma alma. No total, portanto, o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus, e consistia de pó e fôlego da vida. Para além de tudo isto, era o homem de fato semelhante ao anjos, para não mais morrer?

Uma coisa é certa: não há nada no registo da criação que nos diga que havia uma parte de Adão, que não podia morrer. Veja outra vez Adão no Éden naqueles dias em que tudo estava bem. Estava ele naquela altura, sujeito ao medo da morte, a certeza de morrer, como é comum a toda a humanidade neste momento? A resposta é: Não. Adam não tinha nenhum medo desse tipo, ele desfrutava da felicidade da vida no Éden desenvolto de preocupações, medos, lágrimas ou árdua labuta. Na verdade, a Bíblia nos diz por que isso era assim, e um pouco de reflexão irá ajudar o nosso entendimento.

Naqueles primeiros dias de Adão não tinham um caráter desenvolvido. Ele tinha potencial e liberdade de escolha, mas era espiritualmente imaturo. Ele não foi feito com perfeição do caráter, nem era um mero autómato feito para ser funcionar ao longo de linhas totalmente predeterminadas. Deus em seguida, tomou medidas para fornecer ao homem a oportunidade de desenvolver uma imagem e semelhança no sentido mais verdadeiro, um caráter no qual as virtudes de Deus poderiam ser encontradas. O método era simples: o homem foi posto à prova. Recebeu um mandamento, a palavra de Deus do Criador para o criado:

“E o SENHOR Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” (Génesis 2:16 - 17)

Havia uma doce razoabilidade nesse mandamento. Correspondia às bênçãos que o homem desfrutava. Deus fez o jardim no Éden e colocou o homem no comando. O jardim era o “paraíso”, uma palavra que significa um “parque” ou “jardim”. O jardim do Éden foi o melhor que jamais existiu na Terra e nunca foi superado. O habitat de Adão era totalmente agradável. Não havia nada de hostil nele e tudo o que tinha a fazer era se tratá-lo e mantê-lo (Génesis 2:15). Deus era o dono e provedor: o homem era o inquilino e beneficiário.

Mas como Adão teria uma escolha verdadeiramente livre na sua obediência a Deus? Uma vez que Deus claramente não queria obediência cega e sem amor, mas uma escolha inteligente, como seria isto possível? Ao contrário de nós, Adão tinha uma mente que estava incorrupta pelo mal; não havia nenhuma mancha dentro dele e apenas “excelência” no exterior.

A Serpente no Éden

O aparecimento da serpente no jardim pode parecer-nos muito estranho. Alguns têm considerado a serpente como a encarnação do mal, um concentrado de maldade que chegou de fora da terra. Por outras palavras, em tal ponto de vista, a serpente era o diabo ou Satanás que quer arruinar a obra de Deus. O registo de Génesis não nos conta nada disso e introduzir isso cria muitos mais problemas do que é suposto resolver. E a serpente então? Como devemos considerá-la?

Em primeiro lugar, somos informados de que todas as criaturas criadas por Deus eram "muito boas". Em seguida, somos informados de que a serpente era também um “animais selvático” (Génesis 3:1). Alguns questionam se as palavras, “a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos”, significa que a serpente era em si um animal selvático. Haveria pouco assunto em mencionar a circunstância se não fossem destinadas a entender que a serpente era, de facto, um animal selvático. A conclusão é reforçada pela maneira em que as palavras em hebraico foram traduzidos em outras versões. Por exemplo:

“Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito.” (NVI)

Além disso, é muito difícil conceber que Deus tivesse permitido a invasão do Seu jardim por uma manifestação viva da maldade, e se tivesse sido permitida uma tal intrusão, teria falhado em dar a Adão o menor sinal de aviso. Por outro lado, se como o registo nos diz, a serpente era uma das criaturas da terra, então Adão já teria tido conhecimento da sua existência e propensões porque Deus mostrou-lhe todos os animais, um por um, e Adão tinha-lhes dado os seus nomes (Génesis 2:19).

Mas a serpente podia falar e tinha poderes de observação e raciocínio. Isso a torna única. Claramente, muitos animais têm a capacidade de observar e sentir o que está ao seu redor, e são capazes de interpretar o que encontram para sua própria segurança e bem-estar. Mas não há hoje em dia animal vivo que tenha o poder de conversar livremente com o homem. Isso não é razão para duvidar do registo das Escrituras e, em qualquer caso, a descrição da serpente que nos foi dada
por Deus nos diz que a criatura era extraordinária.

Além dos poderes da fala e raciocínio, a serpente não tinha nenhum poder sobrenatural; e não há nada na relato de Génesis para justificar qualquer conclusão de que a serpente exerceu qualquer outra influência ou que tivesse qualquer poder para fazê-lo. No entanto, a serpente ocupa um papel significativo na tragédia do jardim do Éden, e devemos concluir que isto foi previsto por Deus.

Por que então foi feita a serpente? Mais especificamente, por que foi permitido o acesso a Eva quando tais resultados desastrosos se seguiram? É perigoso filosofar ou conjeturar mais além daquilo que a Bíblia nos diz; tais suposições normalmente nos conduzem por caminhos errados meramente estabelecidos pelo pensamento humano.

Nós podemos ter certeza sobre Deus. Ele é onisciente e justo: Ele é amável e benevolente. Ele criou o homem com oportunidades gloriosas e concedeu-lhe o privilégio de estar consciente acerca de Deus. Adão foi cercado de inúmeras bênçãos. Ele conhecia o mandamento de Deus. Ele ainda não conhecia o mal. Em certo sentido, portanto, não havia um verdadeiro teste à sua obediência, enquanto ele estivesse num cenário idílico, imaculado de mente e corpo.

A serpente proveu outro ponto de vista para o homem contemplar. Era um ponto de vista puramente teórico, uma conjectura sem qualquer prova ou substância. Tudo o que a serpente disse a Eva em contradição com seu conhecimento existente foi totalmente sem fundamento. A serpente “disse”, mas não apresentou nenhuma prova. Tomou os factos conhecidos de Eva e deu-lhes outra interpretação, uma interpretação totalmente falsa e por testar. Em vez de morte pela transgressão, haveria vida, e haveria entendimento glorioso e igualdade com Deus.

Em tudo isto a serpente não sugeriu que alguma coisa estava dentro do seu próprio poder. Não tinha nada para dar, mas ideias, e a eles não lhes deu sequer um farrapo de prova. Suas palavras estavam em contradição direta com o que Deus tinha dito “É certo que não morrereis” - ou a fabricação de supostas bênçãos que se seguiriam à participação da árvore do conhecimento do bem e do mal - “como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.”

A mentira absurda da serpente “É certo que não morrereis”, foi a chave do seu poder de persuasão. Esta inverdade brilhante ficou incontestada na mente inocente de Eva, mesmo conhecendo a Palavra de Deus. Ela permitiu que as ideias insidiosas ativassem os seus desejos naturais, até então não adulterados, e tolamente se rendeu ao egoísmo e rebelião. Os seus desejos previamente a levaram a viver de acordo com a vontade de Deus, mas agora inflamou-os e corrompeu-os. Ela tinha sido enganada. Adão seguiu ao seu convite sabendo o que estava fazendo. Ele levou a culpa e responsabilidade maior, porque ele era a principal parte da criação de Deus e parece ter deixado sua esposa, de alguma forma vulnerável às lisonjas da a serpente.

Os comentários do Novo Testamento sobre Eva e Adão dizem-nos a pura verdade:

“A serpente enganou a Eva com a sua astúcia.” (2 Coríntios 11:3)

“Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.” (1 Timóteo 2:14).

“Por um só homem entrou o pecado no mundo.” (Romanos 5:12)

Adão e Eva sabiam que tinham pecado e estavam dolorosamente conscientes das suas consciências contaminadas. A vergonha e o medo recaíram sobre eles. A sua nudez tornou-se embaraçosa, e eles arranjaram cobertas improvisadas si próprios. Nem a sua cintas de folhas de figueira, nem o seu
esconderijo entre as árvores do jardim era de qualquer utilidade contra o controlo judicial de Deus.

Pecado e Morte

Eles estavam agora num estado de pecado. O pecado é a transgressão da lei de Deus, por outras palavras, é a ilegalidade (1 João 3:4). Além disso, eles agora morreriam: “O salário do pecado é a morte” (Romanos 6:23). Eles passaram da justiça e paz para o pecado e conflito. O seu pecado havia-os separado de Deus, e as consequências começavam a se tornar manifestas.

Como Deus tinha claramente indicado no mandamento original a Adão, de modo que Ele agora pronuncia as consequências do seu pecado. Os seus protestos de que alguém era culpado – Adão culpou Eva e indiretamente o próprio Deus, e Eva culpou a serpente – foram colocados de lado. Cada um deles tinha que carregar com a sua própria carga. A serpente tinha nenhuma responsabilidade moral diante de Deus, uma vez que tanto quanto sabemos, não estava sob o mandamento, e em qualquer caso, não havia sido feita à imagem e semelhança de Deus. No entanto, suportaria o desfavor de Deus por causa do que tinha sido instrumental em fazer. Perderia alguma das suas vantagens e desde então andaria sobre o seu estômago. Além disso, Deus disse à serpente:

“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Génesis 3:15)

No coração destas palavras está uma pérola de grande valor. Dentro dos sons da inimizade e do conflito, há uma nota de esperança que vai cativar a nossa atenção um pouco mais tarde na nossa história. Basta dizer por agora que a chave para o enigma (pois para Adão e Eva, seria isso mesmo), reside na palavra “ele”.

As penas sobre Adão e Eva foram as seguintes:

“E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará.

E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Génesis 3:16-19)

Vergonha, tristeza, cansaço e morte tinha entrado no mundo, e esse seria o tipo de mundo em que os filhos de Adão e Eva viveriam fora do jardim do Éden. Nas próximas páginas nós olharemos às consequências acima referidas, procurando entendê-las, e descobrir o sentido pleno do Enigma.
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Re: Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

Mensagempor Bereano » Ter Nov 16, 2010 1:44 pm

CAPÍTULO 3 - A MORTE: AMIGA OU INIMIGA?

De todos os assuntos para excitar o talento dos escritores e compositores, amor e morte, em conjunto ou separadamente, deverão certamente estar entre primeiros lugares. Amor e morte têm um poder próprio e têm produzido alguns dos personagens mais nobres na vida real e em ficção. Mas é quando chegamos à Bíblia que essas duas experiências se encontram em incomparável grandeza e beleza, uma reunião tão poderosa que transforma pecadores em santos, escravos em
livres, e desesperados em vitoriosos conquistadores. Eis aqui as palavras intemporais:

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)

As palavras de Cristo têm similar grandeza:

“Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.” (João 15:13)

O amor e a morte encontram-se no Senhor Jesus Cristo de uma maneira que é redentora. O Novo Testamento soa com esta mensagem de esperança:

“[O] Filho de Deus... me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gálatas 2:20)

É a grandeza deste amor que o torna transformador para os outros. É a diferença desta morte, que provê a libertação para além da imaginação. Ela se torna a fonte da vida eterna, o manancial da salvação. Esta é a confiante e feliz mensagem das Escrituras.

Mas o que dizer sobre a nossa própria morte? É amiga ou inimiga? É o fim de tudo ou um portal para uma nova existência?

O mundo está cheio de ideias sobre o assunto. Tudo desde a aniquilação completa e permanente à reencarnação repetida encontra-se entre as crenças dos homens. Nada disto são novas conjeturas. Todas elas encontram-se entre as crenças pagãs por todo o mundo. Qual é a verdade sobre o assunto?

Nós acreditamos que a verdade seja clara. Pode ser encontrada tanto no Antigo e Novo Testamentos. Vamos tomar o assunto passo a passo, segurando a mão de Deus e Ele nos guiará. Em primeiro lugar, a vida veio de Deus. Eis aqui as Escrituras mais uma vez:

“Formou o SENHOR Deus ao homem do pó da terra e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente(NVI, ser vivente).” (Génesis 2:7)

“O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe... respiração e tudo mais.” (Atos 17:24 - 25)

Embora o homem fosse uma criação única e especial, ele não estava sozinho em ter o fôlego da vida ou de ser uma alma vivente. É nos dito isso quando o dilúvio varreu o mundo nos dias de Noé:

“Pereceu toda carne que se movia sobre a terra, tanto de ave como de animais domésticos e animais selváticos, e de todos os enxames de criaturas que povoam a terra, e todo homem. Tudo o que tinha fôlego de vida em suas narinas, tudo o que havia em terra seca, morreu.” (Génesis 7:21 – 22)

A singularidade do homem residia na sua capacidade de desfrutar de uma vida espiritual, que ele corrompeu quando ele se afastou da Palavra de Deus em desobediência. Ele rompeu o vínculo entre ele e Deus, e o pecado se colocou no lugar da comunhão. Como já mencionamos antes, uma das consequências da transgressão foi tornar-se num criatura sujeita à morte e, entretanto, sofrer, como mais tarde a Escritura diz em Hebreus 2:15, “pavor da morte”. Porquê “pavor da morte”? O que há sobre a morte para engendrar tal sentimento? Certamente a frase que Deus pronunciou deu muitas razões:

“Maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida… até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Génesis 3:17 - 19)

Desta forma, Deus estabeleceu as consequências físicas do pecado de Adão. O pecado iria resultar em morte. Tome especial atenção a essas expressões enfatizadas. Haveria um fim da vida e a dissolução até ao pó de onde veio o homem. Essa descrição simples, retornar ao pó, é uma frase frequentemente usada na Bíblia, quando fala do fim da vida. O processo é descrito também por outras palavras, em várias partes das Escrituras, mas o efeito é sempre o mesmo: a vida acaba e o homem deixa de existir. É por esta razão que o “pavor da morte” veio à existência. Adão e Eva sabiam muito bem que a serpente estava errada e que Deus realmente faria o que havia dito.

Esta verdade é muito desagradável para todos nós e é evitada por muitos, que preferem pensar no contrário. No entanto, em inúmeros serviços funerários, a verdade do registo de Gênesis é re-repetida pelas as palavras: “Do pó ao pó e cinzas às cinzas”. Para que não seja tentado a deixar a leitura neste ponto, pode-se dizer com confiança absoluta que existe um futuro que é maior que a morte; mas é uma esperança que ao mesmo tempo, enfrenta de frente o ensino bíblico sobre os mortos:

“Pois, na morte, não há recordação de ti; no sepulcro, quem te dará louvor?” (Salmo 6:5)

“Mostrarás tu prodígios aos mortos ou os finados se levantarão para te louvar? Será referida a tua bondade na sepultura? A tua fidelidade, nos abismos? Acaso, nas trevas se manifestam as tuas maravilhas? E a tua justiça, na terra do esquecimento?” (Salmo 88:10 - 12)

“Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?” (Salmo 89:48)

“Os mortos não louvam o SENHOR, nem os que descem à região do silêncio.” (Salmo 115:17)

“Não confieis em príncipes, nem nos filhos dos homens, em quem não há salvação.
Sai-lhes o espírito, e eles tornam ao pó; nesse mesmo dia, perecem todos os seus desígnios.” (Salmo 146: 3 – 4)

“Afastai-vos, pois, do homem cujo fôlego está no seu nariz. Pois em que é ele estimado?” (Isaías 2:22)

Esse quadro do Antigo Testamento está completo e pode ser multiplicado muitas vezes. Além disso, está em total harmonia com o relato Bíblico da criação e com a sentença de Deus sobre o homem quando ele pecou. Todos os homens de Deus na era pré-cristã tinham o mesmo entendimento sobre a morte, e nunca procuram fugir do assunto por outros meios.

Claro, havia aqueles que pensavam de maneira diferente. Estes não eram os seguidores fiéis da Palavra de Deus. Tais homens sem rodeios contrariavam a sentença de Deus e acreditavam e persuadiam outros a acreditar na mentira da serpente “É certo que não morrereis.” Esses falsos ensinamentos enganaram muitas pessoas e os ensinamentos eram acompanhados de práticas, bem como aquelas que se encontram hoje, em que pessoas de luto e outras pessoas tentaram fazer contato com os mortos, apesar da clara palavra de Deus que "os mortos não sabem coisa nenhuma" (Eclesiastes 9:5). Estas superstições e aqueles que as seguiam, ou que as praticavam para lucro ou poder sobre os homens, eram severamente condenados pelos profetas:

“Quando vos disserem: Consultai os necromantes e os adivinhos, que chilreiam e murmuram, acaso, não consultará o povo ao seu Deus? A favor dos vivos se consultarão os mortos? À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva.” (Isaías 8:19 – 20)

A Esperança da Ressurreição

A ideia de sobreviver à morte ou passar por ela de uma maneira ou outra tem raízes firmes na mente de muitos, incluindo muitos que alegariam seguir a doutrina cristã. A doutrina da imortalidade da alma tem prevalecido sobre a doutrina bíblica da morte, decorrentes dessa doutrina vários ensinamentos relacionados foram desenvolvidos e são acreditados. De facto, algumas pessoas estão convencidos de que não acreditar na doutrina da imortalidade da alma é negar uma doutrina básica cristã. Temos a certeza de isso não é assim. Pelo contrário, a crença no claro ensino bíblico sobre a inconsciência dos mortos é um passo essencial para uma verdadeira compreensão de um dos grandes tesouros da Palavra de Deus, a doutrina da ressurreição dos mortos como caminho para a vida eterna.

Surpreenderá alguns leitores saber que em nenhum lugar nas Escrituras são as palavras “imortal” e “alma” aparecem juntas. A imortalidade e da natureza inerente de Deus, e Dele só. Por conseguinte a palavra “imortalidade” é usada na Bíblia somente para descrever a própria existência de Deus e a vida que será oferecida aos fiéis após a sua ressurreição dos mortos. Eis aqui todas as ocorrências das palavras “imortal” e “imortalidade” na nossa versão em Português da
Bíblia (existem mais na Bíblia grega, mas todas elas são coerentes com o que se segue). Por conveniência, estão agrupadas para mostrar aqueles que se aplicam a Deus e aquelas em que a imortalidade é prometida ao homem por Deus:

Sobre Deus:

“Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém!” (1 Timóteo 1:17)

“[O] Bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores;
o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem homem algum jamais viu, nem é capaz de ver. A ele honra e poder eterno. Amém!”
(1 Timóteo 6:15 – 16)

Sobre as promessas de Deus feitas aos homens:

“[O] nosso Salvador Cristo Jesus, o qual não só destruiu a morte, como trouxe à luz a vida e a imortalidade, mediante o evangelho.” (2 Timóteo 1:10)

“Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.” (1 Coríntios 15:53 - 54)

Deve ser evidente quando comparamos esse grupo de versículos do Novo Testamento, os únicos de sua espécie, com as nossas citações anteriores, que Antigo e Novo Testamentos se juntam ao ensinar a mesma verdade. O Novo Testamento também ensina que a morte é um fim de existência
da qual há esperança de ressurreição para a vida eterna para aqueles cuja fé e vida têm sido agradáveis a Deus.

No entanto, a doutrina da imortalidade da alma é muito resistente, e aqueles que a detêm agarram-se a todas as explicações possíveis de versículos da Bíblia para estabelecer o seu caso. Apesar da clareza do versículo que se segue, já referido anteriormente, a resposta usual à compreensão clara é dizer que o versículo se refere apenas ao corpo de Adão, e não à sua alma. Por outras palavras, o verdadeiro Adão estava dentro do Adão exterior e sobreviveria à morte. Nós já vimos que não há absolutamente nenhuma justificação para este ponto de vista no registo da criação. Em qualquer caso, mesmo se houvesse um Adão interior com alguma espécie de existência separada, neste versículo Deus está se dirigindo ao Adão real:

“No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás.” (Génesis 3:19)

No entanto, devemos estudar mais a palavra “alma”. Ela é usada centenas de vezes na Bíblia. Tudo o que normalmente associamos à nossa existência atual é claramente atribuído à alma:

“E toda alma... que comer...” (Levítico 17:15, RC)

“A sua alma se vai chegando à cova” (Jó 33:22)



“Livra a minha alma da espada...” (Salmo 22:20)

“A alma indolente padecerá fome.” (Provérbios 19:15, RC)

“{Como} água fria para uma alma cansada...” (Provérbios 25:25, RC)

“A minha alma chorará em segredo...” (Jeremias 13:17)

“E morreu no mar toda alma vivente.” (Apocalipse 16:3, RC)

Seria difícil encontrar provas mais convincentes de que a alma é o homem vivo, o homem vivente mortal. Além disso, a partir destes versos é claro que a alma pode morrer e ser colocada no túmulo, exatamente como nós esperaríamos a partir do pronunciamento de morte sobre Adão. Eis aqui dois versículos mais contando precisamente a mesma história:


“Pois a nossa alma está abatida até ao pó, e o nosso corpo, como que pegado no chão.” (Salmo 44:25)

“Que homem há, que viva e não veja a morte? Ou que livre a sua alma das garras do sepulcro?” (Salmo 89:48)
Compare os seguintes versículos: um é um pronunciamento do Antigo Testamento e o outro é o comentário de Cristo sobre si mesmo quando se apróximava o Calvário:

“A alma que pecar, essa morrerá.” (Ezequiel 18:4)

“A minha alma está profundamente triste até à morte;” (Mateus 26:38)

Há harmonia entre os Testamentos e um ensino comum sobre a alma e a morte.

Finalmente, neste contexto, a palavra “alma” é usada às vezes para denotar a vida do homem, mas nunca para sugerir que de alguma forma o próprio homem continua vivendo após a morte. Eis aqui dois exemplos, o primeiro um registo profético sobre a morte de Jesus, e o segundo tirado de uma das parábolas do Senhor:

“Porquanto [Jesus] derramou a sua alma na morte.” (Isaías 53:12)

“Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?” (Lucas 12:20)

(A versão NVI traduz assim o último versículo: “Insensato! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida.” )

O título deste capítulo colocou a questão, a Morte: Amiga ou Inimiga? A resposta da Bíblia é, sem dúvida, inimiga! Na verdade, o vitorioso capítulo sobre a ressurreição, 1 Coríntios 15, declara: “O último inimigo a ser destruído é a morte”. O inimigo pode ser conquistado e a vitória é através do Senhor Jesus Cristo. Vamos desenvolver este tema mais detalhadamente mais adiante, mas enquanto isso eis aqui uma seleção de versículos da Bíblia, dispostos em uma progressão que fala da maneira em que a “Salvação da alma” pode ser conseguida:

“Não podem reter a sua vida[no original Hebraico alma].” (Salmo 22:29)

“A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma.” (salmo 19:7)

“Acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma.” (Tiago 1:21)

“[Somos] daqueles que crêem para a {ou o ganho} conservação da alma.”
(Hebreus 10:39, RC)

“Sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados.” (Tiago 5:20)

“Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade... pois fostes regenerados… mediante a palavra de Deus.” (1 Pedro 1:22 - 23)

“Mas Deus remirá a minha alma do poder da morte.” (Salmo 49:15)

“Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno.” (Daniel 12:2)

“... céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória.” (Filipenses 3:20 - 21)

A transformação de um corpo moribundo a um corpo glorioso é a mudança da mortalidade para a imortalidade, de uma alma viva para uma alma sempre viva. Este é o ensinamento da Bíblia. E se relaciona diretamente com o que sabemos sobre a vida e a morte. Oferece-nos a redenção do pecado e da morte no Senhor Jesus Cristo. O Senhor Deus que criou o primeiro o homem no princípio, puniu-o com a morte quando ele pecou, e herdamos a sua natureza caída e mortal. Cristo é o Redentor, o antídoto divino para todos os males do homem. A salvação começa já nesta vida ao rendermos os nossos corações e mentes a Deus através de Cristo, no caminho indicado. A salvação se consumará quando Cristo voltar para a terra, ressuscitar os mortos que dormem e abençoar os fiéis com a imortalidade, a vida eterna em um corpo glorioso no reino de Cristo na terra.
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Re: Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

Mensagempor Bereano » Ter Nov 16, 2010 1:46 pm

CAPÍTULO 4 - O PRINCÍPIO DAS PROMESSAS DE DEUS

“Promessas, promessas.” Estas palavras soam vazias e ridículas aos ouvidos modernos. Amargas deceções e a avareza atual do homem trouxe uma nova maneira de pensar. O homem quer o futuro agora. Ele exige satisfação imediata. Esta atitude afeta tudo, desde sexo à política entre as nações.
Pior ainda, o homem tem prejudicado o valor de todas as promessas que faz, e acha normal, ou no mínimo, oportuno, quebrar a sua palavra devido a novas circunstâncias que mereçam fazer isso ou até, só cumpre o prometido se lhe apetecer.

Pela sua própria natureza as promessas referem-se ao futuro. Em alguns casos o seu cumprimento depende que certas condições se concretizem pelo que promete ou pelo beneficiário. As promessas do homem correm o risco de ser profundamente afetadas pelo futuro imprevisível. Muitos homens têm, por circunstâncias inteiramente fora do seu controle, sido incapazes de manter promessas feitas solenemente.

Às vezes, é claro, promessas são feitas com uma probabilidade muito pequena de serem cumpridas. Tornou-se prática corrente ver com cinismo qualquer promessa feita pelos políticos na época das eleições. Os eleitores tomam tudo com uma grande pitada de sal, e os líderes políticos podem sempre alegar que novas circunstâncias tornaram impossível ou altamente desvantajoso manter os seus manifestos.

Quer queiramos ou não, todos nós, fazem promessas, algumas insignificantes e outras substanciais. Os nossos votos de casamento são, sem dúvida entre os mais significativos. É um triste reflexo da nossa sociedade que esses votos são muitas vezes tomadas de ânimo leve e quebrados sem pensar duas vezes. É uma acusação às nações ocidentais, com todas as vantagens materiais que possuem, o seu modo de vida está repleto de casamentos desfeitos e corações partidos, e crianças desnorteadas que foram privadas do seu direito de desfrutar serem criados pelos pais que os trouxeram ao mundo. Estas coisas não deveriam ser assim. O verdadeiro caminho cristão cria condições que favorecem ao máximo a permanência no casamento e de casas onde a confiança e a piedade abundam. Isto é o que Deus planeou.

Mas o que dizer das promessas de Deus? Será que Deus mantém sempre as promessas que fez? Que tipos de promessas são, e como nos dizem respeito? Estão elas dependentes do homem, bem como de Deus, ou só de Deus, para o seu cumprimento?

Deus começou a fazer promessas aos homens, logo que o primeiro pecado foi cometido. O dilema do homem foi acompanhado pela vontade de Deus de ajudar. As promessas de Deus vieram da bondade inerente de Deus e não de qualquer obrigação ou dívida para com o homem. As promessas eram poderosas e certo o seu cumprimento. O conteúdo básico das promessas estava dependente de nada, mas da fidelidade de Deus para o seu cumprimento.

Deus não está olhando para um futuro desconhecido, como o homem é obrigado a fazer, mas vê o fim de tudo, desde o início. Deus desafia o homem com este facto. Deus declara a sua capacidade de falar do futuro com certeza tal como falamos do presente, como prova irrefutável de que Ele é Deus. Isto é como a Escritura define isso:

“Quem fez ouvir isto desde a antiguidade? Quem desde aquele tempo o anunciou? Porventura, não o fiz eu, o SENHOR? Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim.” (Isaías 45:21)



“Desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade.” (Isaías 46:10)

Estas declarações do Todo-Poderoso podem ser testadas contra profecias que Ele proferiu tal como registadas na Bíblia, e o seu cumprimento em tempo oportuno, de forma e completamente de
acordo com o que foi predito. Há exemplos muito surpreendentes disto tanto no Antigo e Novo Testamentos, e alguns destes oportunamente consideraremos para outros fins. A base da profecia Bíblica é a vontade de Deus e a sua comunicação precisa com bastante antecedência do seu cumprimento por meio dos Seus santos profetas:

“Temos, assim, tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vosso coração, sabendo, primeiramente, isto: que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens {santos} falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:19 – 21)

Promessas são profecias de determinado tipo. Elas se cumprirão tão certo como qualquer outra profecia de Deus que se cumpriram no seu tempo certo. Além disso, uma vez que Jesus Cristo é a base da salvação e nós estamos dependentes dele, Deus deu mais promessas e profecias sobre Jesus, do que sobre qualquer outra coisa ou pessoa em toda a história. Isso foi feito, a fim de fornecer uma garantia para nós e colocar acima de qualquer dúvida a nossa esperança na promessa da vida eterna. Cristo, pouco depois da sua ressurreição dentre os mortos, demonstrou para o benefício dos seus apóstolos profecias tomada de todas as partes do Antigo Testamento em relação a si mesmo. Os apóstolos usaram estas ilustrações como parte das suas provas, quando pregaram o Evangelho aos judeus e gentios:

“Então, lhes disse Jesus: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, discorrendo por todos os Profetas, expunha-lhes o que a seu respeito constava em todas as Escrituras... e lhes disse: Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados.” (Lucas 24:25 – 27, 46 – 47)

Por isso Paulo, na sua pregação do Evangelho, declarou:

“Antes de tudo, vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” (1 Coríntios 15:3 - 4)

Podemos ter confiança absoluta nas promessas de Deus. Deus é totalmente e sempre fiel, e não existe variação ou inconsistência n'Ele:

“Saberás, pois, que o SENHOR, teu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e cumprem os seus mandamentos.” (Deuteronómio 7:9)

“Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor.” (1 Coríntios 1:9)

Esta é a base da fé. Às vezes, homens e mulheres agonizam sobre ter fé, como se de alguma forma, surgisse neles sem razão, ou consistisse de um salto no escuro. Nada poderia estar mais longe da verdade. A fé vem da influência da Palavra de Deus e as provas irrefutáveis, que ela fornece. A fé é:

“Estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera.” (Romanos 4:21)

Este é o tipo de fé que os homens de antigamente tinham em Deus. Sem esta fé é impossível ser um seguidor de Cristo. É o tipo de fé que ele próprio possuía:

“De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam.” (Hebreus 11:6)

Como poderia Deus nos dar garantias sobre o futuro senão por proferir repetidamente profecias e cumprindo-as sem falha? Só Deus pode fazer isso e ele utiliza esse facto para desafiar os homens que não acreditam e aqueles que buscam encantamentos e o gosto de prever o futuro.

“Apresentai a vossa demanda, diz o SENHOR; alegai as vossas razões, diz o Rei de Jacó.
Trazei e anunciai-nos as coisas que hão de acontecer... para que ... saibamos se se cumpriram; ou fazei-nos ouvir as coisas futuras. Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que sois deuses.” (Isaías 41:21-23)

“Deixa-te estar com os teus encantamentos e com a multidão das tuas feitiçarias em que te fatigaste desde a tua mocidade; talvez possas tirar proveito, talvez, com isso, inspirar terror. Já estás cansada com a multidão das tuas consultas! Levantem-se, pois, agora, os que dissecam os céus e fitam os astros, os que em cada lua nova te predizem o que há de vir sobre ti.” (Isaías 47:12,13)

O desafio se mantém. O homem é ainda impotente, mesmo nesta época de tecnologia altamente informatizada, para predizer com precisão os grandes eventos do mundo. Ele procura se proteger a si mesmo de todos os tipos de suposições numa tentativa de afastar os piores efeitos do futuro invisível. Milhões consultam o seu horóscopo diariamente e excitam-se com as palavras dos curiosos em pesquisas científicas ou adivinhação. Tudo isso é inútil na determinação do futuro do homem.

Deus sabe. Deus fala. Deus faz. Deus promete e cumpre. Deus demonstra infalibilidade e reclama fé. Deus é bom e de confiança. Deus é bondoso e misericordioso. Deus quer salvar-nos e fará isso se confiarmos n'Ele. O nosso futuro é certo, se nos entregarmos ao cuidado de Deus crendo no que Ele nos disse. Cristo é o grandioso cumprimento de profecia de todos os tempos, e ele é a garantia de Deus de que podemos ser salvos. “Porque para Deus não haverá impossíveis em todas as suas promessas.” (Lucas 1:37). Para os temerosos, Deus diz, “acaso haveria alguma coisa demasiado difícil para mim?” (Jeremias 32:27, ACF).

Com a nossa confissão de impotência do homem e a certeza da bondade e fidelidade de Deus, peguemos na primeira promessa de Deus(a 'charada' a que já referimos anteriormente). Foi proferida no Jardim do Éden ante de Adão e Eva terem sido expulsos:

“Porei inimizade entre ti(serpente) e a mulher(Eva),
entre a tua descendência e o seu descendente.
Este te ferirá a cabeça,
e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Génesis 3:15).

Existe um ar de mistério nesta promessa. Fala de uma luta, uma luta que continuaria pelas gerações que se seguiriam. No final o mal da serpente seria desfeito. O Libertador desferiria o golpe mortal(à cabeça) e ele próprio seria ferido(no calcanhar).

O Descendente da Mulher

Enquanto Eva, sem mais esclarecimentos, não podia conhecer a totalidade do significado da promessa, sabemos que ela entendeu e acreditou nela. Ela sabia que através de um descendente seu a onda de mal seria contida e a sua fonte vencida. É interessante notar que quando lhe nasceu o primeiro filho Eva declarou, “Adquiri um varão com o auxílio do SENHOR” (Génesis 4:1). Pareceria que estava pensando na promessa do Vindouro Descendente, o Libertador. Ela estava enganada com a pessoa e o tempo, mas não na esperança.

Passariam eras antes que o mistério fosse totalmente revelado. Enquanto isso os crentes teriam que acreditar no Vindouro Descendente, e Deus fortaleceria a sua fé com novas promessas e mais extensas com o passar do tempo.

É importante notar que esta primeira promessa é inteiramente incondicional. Deus prometeu e Deus cumprirá. A promessa apoia-se unicamente em Deus. A salvação é uma dádiva de Deus.

A primeira promessa de Deus deve ter sido motivo de conversa entre os fieis. Era o brilho da esperança na escuridão. É provável que o neto de Adão estivesse vivo no tempo de Noé, e o filho de Noé no tempo de Abraão. Assim os primeiros dois mil anos eram abrangidos não mais que por 6 vidas. A promessa do Éden deve ter sido preservada com uma frescura surpreendente.

Podemos nos perguntar o que esses homens pensavam sobre como a promessa tinha sido dada. Porque, por exemplo, o Libertador seria chamado de “descendente da mulher”, em vez de descendente do homem? Talvez os fieis antigos ponderassem sobre isso, mas não foi senão até que Cristo o Libertador nasceu da virgem Maria sem a intervenção do homem que tudo se tornou claro como cristal! O Nascimento Virginal estava encerrado neste primeiro mistério.

Não importa quão gostaríamos de continuar junto do calor deste primeiro fogo de promessa, devemos continuar. Os descendentes de Adão herdaram duas grandes fraquezas: estavam sujeitos ao pecado e estavam destinados a morrer. O pecado e a morte eram o inimigos gémeos do homem. De uma maneira ou de outra provaram ser o desespero de todos os homens. A imperfeição do homem fica clara em tudo o que ele faz. A perfeição escapa sempre ao homem em qualquer campo em que ele atue. Infelizmente, até o melhor dos homens deve desvanecer e morrer:

“Porque somos estranhos diante de ti
e peregrinos como todos os nossos pais;
como a sombra são os nossos dias sobre a terra,
e não temos permanência.” (1 Crónicas 29:15)

Mas sem a morte o maiores pecadores tornariam a terra numa colmeia enorme de maldade onde nenhum vestígio do bem poderia sobreviver. Existe um exemplo interessante deste facto nas primeiras páginas da Bíblia. Como já notámos, a vida do homem nesses primeiros dias era muito mais longa do que agora. Isso permitiu o crescimento da raça humana. Mas permitiu também o crescimento do pecado do homem. Tornou-se ímpio, imoral e violento. Gradualmente a justiça e a piedade foram expulsas, até que só sobraram uns poucos fieis. Deus dirigiu-se aos homens através da vida justa e fiel de Noé, mas não serviu de nada (aprendemos isso de 2 Pedro 2:5). Os homens eram incorrigíveis. Deus chamou Noé e a sua pequena família para a arca para onde os animais já tinham entrado. A arca era grande e levaria quem quisesse ir. Mas não havia mais ninguém. A bondade de Deus foi desconsiderada e o homem escolheu o caminho da escuridão, o caminho para o julgamento e morte.

O pacto de Deus com Noé

Houve sete dias de silêncio depois da porta da arca ser fechada por Deus. E veio o Dilúvio e levou-os a todos. Deus varreu a terra e esta ficou limpa, Noé e o seu rebanho saíram para um mundo novo. Foi nessa altura que Deus fez a Sua segunda promessa:

“Não tornarei a amaldiçoar a terra por causa do homem, porque é mau o desígnio íntimo do homem desde a sua mocidade; nem tornarei a ferir todo vivente, como fiz. Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite.” (Génesis 8:21-22)

“Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações: porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra.” (Génesis 9:12-13)

Por estas promessas foi dada a garantia de que o mundo continuaria a existir e seria sustentado. O arco-íris seria o sinal da bondade e bênção de Deus. Mais uma vez a promessa era incondicional. Foi um pacto feito somente por Deus. Enquanto que explicitamente não expandiu a primeira promessa de Deus, assegurava o palco para o seu cumprimento. A terra continuaria e muito mais tarde o Senhor Jesus ensinaria-nos a orar:

“Venha o teu reino;
faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mateus 6:10)

Ao continuarmos a nossa história através das Escrituras encontraremos mais provas da fidelidade de Deus em cumprir as Suas promessas.
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Re: Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

Mensagempor Bereano » Qui Nov 18, 2010 10:56 am

CAPÍTULO 5 - AS ALIANÇAS DE DEUS COM ABRAÃO


De Noé e sua mulher, através dos seus filhos, Sem, Cam e Jafé, a terra foi povoada depois do Dilúvio. Os descendentes de Noé aumentaram em número, e assim também a maldade no mundo. Foi como o Dilúvio nunca tivesse acontecido e o pacto de Deus para com a terra não existisse. Parece haver poucas dúvidas de que a idolatria era rampante. É certo que o homem confiava em si mesmo e não em Deus.


Nas vastas planícies da região da Mesopotâmia os homens se juntaram para construir uma cidade e uma torre. Usaram tijolos e betume assim como o fez durante séculos depois. O objetivo da sua obra era o Ego e não Deus:


“Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra.” (Génesis 11:4)


Havia um a estranha ironia nesta situação. O povo estava unido. Infelizmente, estavam unidos no homem e no seu pecado, e não em Deus e Sua justiça. Esta nova atividade ameaçava mais uma vez apagar a luz de Deus, e destruir a esperança viva nas Suas promessas. Deus agiu. O que Ele fez pode parecer contribuir para os problemas do homem. E de certa maneira assim foi. Deus confundiu a fala do homem para que a comunicação imediata entre os grupos não fosse possível. O pecado não poderia avançar como um fogo numa floresta. Os corta-fogos da linguagem ajudaram a contê-lo ou, pelo menos prevenir a consolidação de todo o mundo em pecado o que teria tornado a sobrevivência dos justos bem próxima de impossível. Assim “o SENHOR os dispersou dali pela superfície da terra; e cessaram de edificar a cidade” (Génesis 11:8).


Por este meio único Deus preparou o caminho para o tempo quando faria as maiores promessas que já alguma vez tinha feito a alguém escolhido para recebê-las. Estas promessas têm sido negligenciadas durante séculos. Felizmente, elas têm sido uma parte essencial da fé dos Cristadelfianos desde o início. Acreditamos nelas como sendo cruciais para um entendimento do propósito de Deus. Vejamos o seu pano de fundo e conteúdo.


Por volta do ano 2000 a.C. viveu em Ur dos Caldeus na Mesopotâmia um homem cujo nome era Abrão. Mais tarde o seu nome foi mudado para Abraão, e por motivo de simplicidade este é o nome que usaremos. O aspecto mais notável da vida deste homem era a sua fé em Deus, embora ele vivesse numa cidade onde o culto à lua era predominante.


No século XIX havia homens eruditos que negavam a existência de Ur dos Caldeus. Não conheciam esse lugar e por isso não existia! Esta não é uma abordagem às Escrituras que seja aceitável. O que a Bíblia diz é a verdade e devemos estar preparados para aceitar isso. Podemos de tempos a tempos ter problemas, como por exemplo, esses homens do século XIX tiveram quando não conheciam nenhum lugar que correspondesse a Ur mencionada na Bíblia. Mas eles no entanto deviam ter confiado na Bíblia. Ela é de confiança e prova isso vez após vez. Os arqueólogos investigaram muitos sítios na Mesopotâmia e estão confiantes agora sobre a localização de Ur. O seu tamanho, estilo de vida, sofisticação e competências, e a sua idolatria vieram à luz. Museus em muitos lugares possuem alguns artefactos de Ur, e alguns deles são agora mundialmente famosos.


A vida de Abraão em Ur chegaria a um fim e ele diria adeus a tudo, e não mais retornaria. Deus escolheu-o para um propósito grandioso cujo cumprimento se encontra em Cristo e no reino de Deus. O que se segue é a primeiro promessa que Deus fez a Abraão:



“Sai da tua terra,

da tua parentela e da casa de teu pai

e vai para a terra que te mostrarei;

de ti farei uma grande nação,

e te abençoarei,

e te engrandecerei o nome.

Sê tu uma bênção!

Abençoarei os que te abençoarem

e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem;

em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Génesis 12:1-3)

Estas promessas devem ser lidas vez após vez. Elas são detalhadas, únicas e maravilhosas. No seu cumprimento está o cumprimento da primeira grande promessa que já considerámos anteriormente. Olhe para os elementos vitais da promessa feita a Abraão:


1.

Existe uma terra envolvida na promessa. A Bíblia não nos deixa com qualquer dúvida que essa terra é a terra de Israel, anteriormente conhecida como terra de Canaã (por favor leia

Atos 7:3-5 e Hebreus 11:8-9).
2.

Existe uma nação que surgiria da promessa. Em primeiro lugar a nação era a nação de Israel (veja, por exemplo, Êxodo 2:24-25) que mais tarde foi chamada a nação dos Judeus. Mas, mais significativo, é que existe uma nação muito maior apontada pela promessa. Consiste de uma multidão de crentes espirituais de todas as nacionalidades que confiam nas promessas feitas a Abraão sabendo que estas estão seguras no Senhor Jesus Cristo (veja 1 Pedro 2:9-19 e Gálatas 3:7).
3.

O próprio Abraão será abençoado e o seu nome será grandioso. Tão grandioso é este homem que Deus dignou-se chamar-se a Si mesmo o Deus de Abraão. O seu nome é mencionado mais de setenta vezes no Novo Testamento, muitas vezes pelo Senhor Jesus Cristo, e isto é muito mais do que qualquer outra personagem do Antigo Testamento.
4.

Todas as nações serão benditas em Abraão. Acima de tudo, isto se refere às bênçãos que virão através do Senhor Jesus Cristo, o descendente de Abraão, pelo qual todos os homens, não importando raça, poderão ser abençoados com a salvação (veja Gálatas 3:26-29 e Apocalipse 5:9-10). Existe um significado secundário neste aspecto da promessa. Quando Cristo reinar como Rei na terra, todas as nações vivenciarão as bênçãos da sua beneficência.


A Terra Prometida


Ver-se-á que a maioria dos acontecimentos tiveram lugar depois da morte de Abraão. Como sabemos que ele pessoalmente será apanhado no seu cumprimento e irá usufruir das bênçãos que elas contêm? Podemos ter a certeza disto porque as promessas feitas ao próprio Abraão foram expandidas em revelações subsequentes (ele era profeta segundo Génesis 20:7). Eis aqui uma dessas expansões, feita no tempo quando Abraão estava sozinho na terra de Canaã:


“Disse o SENHOR a Abrão, depois que Ló se separou dele: Ergue os olhos e olha desde onde estás para o norte, para o sul, para o oriente e para o ocidente; porque toda essa terra que vês, eu ta darei, a ti e à tua descendência, para sempre.” (Génesis 13:14-15)


Nestas palavras, a terra de Canaã foi prometida pessoalmente a Abraão. Não há dúvida que sobre isso porque temos a confirmação no Novo Testamento:


“Deus o (Abraão) trouxe para esta terra em que vós agora habitais. Nela, não lhe deu herança, nem sequer o espaço de um pé; mas prometeu dar-lhe a posse dela ...”

(Atos 7:4-5)


“Pela fé, Abraão, quando chamado, obedeceu, a fim de ir para um lugar que devia receber por herança; e partiu sem saber aonde ia. Pela fé, peregrinou na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa... Ora, todos estes que obtiveram bom testemunho por sua fé não obtiveram, contudo, a concretização da promessa, por haver Deus provido coisa superior a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados.” (Hebreus 11:8 - 9, 39 - 40)


A palavra de Deus não poderia ser mais clara, a promessa foi feita, e diz respeito à terra de Israel a qual Abraão era para herdar. Mas ele ainda não a herdou. Ele está morto e não recebeu a promessa. Só existe uma conclusão a que se pode chegar: ele herdará essa terra no futuro. Mais ainda, é uma herança eterna. Logo, Abraão será certamente ressuscitado dos mortos (Mateus 22:31- 32). Quando Cristo voltar à terra Abraão receberá dele o dom da vida eterna. Ele então entrará na sua herança, centrada em Israel mas se estendendo por toda terra (Romanos 4:13). Por esta razão Cristo declarou:


“Quando virdes(Judeus descrentes), no reino de Deus, Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas, mas vós, lançados fora. Muitos virão do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul e tomarão lugares à mesa no reino de Deus.” (Lucas 13:18 - 29)


Abraão tinha 75 anos quando veio para a terra de Canaã na qual viveu como estrangeiro. Anos depois ainda não tinha filhos, e ele perguntou a Deus sobre a vinda da sua prosteridade. Deus respondeu dizendo a Abraão que olhasse para as estrelas:


“Então, conduziu-o até fora e disse: Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. E lhe disse: Será assim a tua posteridade.” (Génesis 15:5)


Esta reiteração da promessa evocou uma resposta de Abraão:


“Ele creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça.” (Génesis 15:6)


A fé não é uma esperança vaga ou uma confiança cega e ignorante. É a confiança absoluta nas promessas de Deus e no seu cumprimento. Confie em Deus; Ele nunca falha. Justiça é essa relação na qual um homem está com Deus, uma vez que ele saiba que confessou a sua total inabilidade de se salvar a si mesmo e além disso acredita implicitamente que Deus irá cumprir as Suas promessas. Isto foi supremamente mostrado no Senhor Jesus Cristo no qual a salvação de Deus é tanto prometida como é tornada uma certeza.


Havia ainda mais para Abraão aprender. Deus repetiu a Sua promessa a ele:


“Eu sou o SENHOR que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te por herança esta terra.” (Génesis 15:7).


Abraão perguntou: “SENHOR Deus, como saberei que hei de possuí-la?” A resposta foi surpreendente e intrutiva. Abraão recebeu a ordem de preparar sacrifícios , mas não era para oferecê-los. Abraão esperou e guardou os sacrifícios que ele tinha disposto perante Deus. Quando o sol começou a descer no horizonte, um sono profundo veio sobre ele, e sentiu-se engolido por uma escuridão terrível. Foi então que Deus falou com ele. Isto está registado em Génesis 15:13 – 20 onde Deus apresenta a história dos descendentes de Abraão pelos séculos que se seguiriam. Ao pôr-do-sol. Abraão viu fogo, e uma tocha flamejante que passou entre os pedaços do sacrifício. Não era fora do comum nesses dias quando se fazia um pacto, ambos os participantes se encontrarem sob juramento solene entre as porções dos sacrifícios (lemos sobre isto também em Jeremias 3:18 – 19). Mas a experiência de Abraão foi diferente. Era como se houvesse só um participante no pacto, o próprio Deus simbolizado pela tocha de fogo.


“Naquele mesmo dia, fez o SENHOR aliança com Abrão” (Génesis 15:18).


As promessas eram seguras porque elas dependiam somente de Deus para o seu cumprimento. Esta visão foi a garantia para o Seu servo. Na mesma ocasião Abraão foi ensinada a lição de que o cumprimento ainda estava muito distante. Aconteceria depois da morte de Abraão. Abraão herdaria a terra só através da ressurreição dos mortos.


Abraão continuou a sua peregrinação na terra de Canaã. E continuavam sem filhos, 24 anos depois de ter vindo para essa terra. Ele e a sua mulher Sarai(mais tarde chamada Sara) já tinham passado da idade de ter filhos fazia muito tempo. Sara era estéril. Nesta altura Abraão tinha 99 anos e Sara cerca de 90. Existe algo demasiado difícil para o Senhor? Deus falou novamente com Abraão e renovou a promessa com muita clareza:


“Quanto a mim, será contigo a minha aliança; serás pai de numerosas nações... Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti... aliança perpétua, para ser o teu Deus... Dar- te-ei e à tua descendência... toda a terra de Canaã, em possessão perpétua.”

(Génesis 17:4-8)


Foi nessa ocasião que Deus introduziu o rito da circuncisão que permaneceria com os Judeus desde aí. E Deus disse que Sara teria um filho! Com esta notícia ambos Abraão e Sara ficaram maravilhados, mas creram em Deus:


“(Abraão) não duvidou, por incredulidade, da promessa de Deus; mas, pela fé, se fortaleceu, dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera.” (Romanos 4:20-21)


“Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa.” (Hebreus 11:11)


Desta maneira nasceu Isaque, o segundo dos grandes patriarcas. Abraão agora se aproximava do seu último e maior teste. Isaque lhe era precioso porque todas as promessas de Deus pareciam se centrar nesta criança. Deus disse assim: “em Isaque será chamada a tua semente.” (Génesis 21,12, RC)


Podemos imaginar os sentimentos de Abraão quando Deus lhe pediu para levar este filho para um certo lugar e que o oferecesse em sacrifício?


Qualquer instinto paternal estaria em dores. Mais ainda, o que aconteceria à promessas de Deus? Sabemos que Abraão fez o que ele pensou: a Bíblia diz-nos isso. Ele foi para fazer o que Deus lhe pedira e ele tinha certeza que voltaria com seu filho vivo:


“Pela fé, Abraão, quando posto à prova, ofereceu Isaque; estava mesmo para sacrificar o seu unigênito aquele que acolheu alegremente as promessas, a quem se tinha dito: Em Isaque será chamada a tua descendência; porque considerou que Deus era poderoso até para ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, figuradamente, o recobrou.” (Hebreus 11:17 - 19)


Deus estava provando Abraão até ao limite. De certa maneira, Deus estava perguntando a Abraão de quem Isaque era filho, a quem ele realmente pertencia? Havia uma só resposta: ele era de Deus. Deus não queria a morte de Isaque(na verdade, ele não foi sacrificado), mas ele queria a fé completa e madura de Abraão tornada evidente pela sua obediência em dar Isaque de volta a Deus. Foi então que Abraão recebeu as últimas promessas:


“Jurei, por mim mesmo, diz o SENHOR, porquanto fizeste isso e não me negaste o teu único filho,que deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra, porquanto obedeceste à minha voz.” (Génesis 22:16 – 18).


O Descendente Prometido


Entre a numerosa e abençoada descendência de Abraão haveria um descendente em particular, uma pessoa. Abraão, que acreditava na primeira promessa feita no Éden, reconheceria as similaridades entre o que foi-lhe dito e o que se encontrava na primeira promessa. O seu descendente conquistaria o inimigo. O Salvador viria da sua linhagem e no entanto, como Deus o tinha ensinado repetidamente, a obra seria de Deus.


Não ficamos com qualquer dúvida sobre os pensamentos mais profundos de Abraão e visão futura, pois Jesus nos diz:


“Abraão, vosso pai, alegrou-se por ver o meu dia,

viu-o e regozijou-se.” (João 8:56)


Através da dor da sua experiência, quando ele tomou “o seu unigénito” ao lugar escolhido, que era onde Jerusalém e o templo anos mais tarde se localizariam, Abraão percebeu que a salvação viria porque “Deus proverá para si... o cordeiro” (Génesis 22:8). Por fim ele tinha o quadro completo: a herança viria através da salvação pela fé, e a salvação viria através do sacrifício redentor providenciado pelo próprio Senhor Deus. Sacrifício e oferendas teriam uma parte importante na adoração que Deus iria ordenar a Israel. Reservamos o comentário a isto e o seu significado até um ponto mais apropriado na narrativa.


Haveria outro “unigénito” que viria a Jerusalém e que seria oferecido; pois Deus não pouparia o Seu unigénito, mas o iria dar por todos nós.


As promessas feitas a Abraão foram renovadas a Isaque(Génesis 26:2-8) e ao seu filho Jacó (Génesis 28:3-4, 15). A aliança feita com Abraão é uma que pela qual todos os verdadeiros crentes podem beneficiar pela crença e batismo através da obra do Senhor Jesus Cristo. Existem mais promessas com o desenrolar das Escrituras, mas todas as promessas futuras de Deus se baseiam na fundação destas promessas feitas a Abraão pelas quais todas as nações serão abençoadas em Cristo.
Bereano
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Re: Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

Mensagempor Bereano » Seg Jan 03, 2011 11:39 am

CAPÍTULO 6 - QUEM É O REI?

QUEM É O REI?


Esta é uma questão importante. A resposta nos levará a um entendimento de um tema Bíblico grandioso, nomeadamente, o Reino de Deus. No inicio, quando a criação era nova, havia paz, harmonia e glória a Deus. Deus era Rei. O Seu domínio estava em todo o lado. Regia os céus, a Sua lei corria pela terra e todas as Suas criaturas, e a terra estava em descanso.


Quando Adão e Eva pecaram eles se rebelaram conta Deus o Rei. Como já vimos, as consequências foram desastrosas para o homem. Mas Deus também foi afetado pela zombaria feita à sua Lei e usurpação da Sua autoridade. O homem havia quebrado a paz de Deus.


A paz de Deus é a base de toda a paz verdadeira; a sua perda significou que a inimizade veio ao mundo através do pecado. É por esta razão que é inútil ao homem procurar um remédio para as guerras da terra sem reconhecer que (como um político da terra disse uma vez), a paz é indivisível. Não pode haver paz duradoura entre os homens sem paz verdadeira com Deus. Como veremos, esta é a base da vitória de Cristo no qual todas as coisas serão trazidas em sujeição a Deus.


Claro que, apesar do pecado de Adão, Deus continuava sendo o Rei. “Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém.” (Salmo 24:1); “O SENHOR é o Deus supremo e o grande Rei” (Salmo 95:3). A terra, o mar e o céu são d'Ele, e toda a criação está nas suas mãos. Não existe outro deus. O pecado de Adão não afetou este aspeto do domínio de Deus. O seu significado é mais profundo. Adão tinha disputado a autoridade de Deus sobre ele. Tinha desafiado Deus e levantou o estandarte da rebelião na terra de Deus.


A soberania de Deus determinou e administrou o castigo para esta provocação. O homem foi entregue ao domínio do pecado e da morte, como ele tinha escolhido. Isto é expressado com clareza no Novo Testamento:


“Tanto judeus como gregos, estão debaixo do pecado; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” (Romanos 3:9, 15 - 18)


“O pecado reinou pela morte” (Romanos 5:21)


O homem, tendo recusado a bondade de Deus, agora estava sujeito à Sua severidade.


Isto explica porque o homem não pode encontrar soluções permanentes para os seus maiores males. Ele corrompeu a imagem de Deus em si mesmo e procura resolver os seus problemas por meio de ideias desenvolvidas no reino do pecado e da morte. Estão sempre condenadas ao fracasso. Até os atos mais grandiosos de compaixão e caridade, ou as obras de grandes reformas sociais, meramente aliviam mas nunca removem a causa dos males que procuram remediar. Por exemplo, tem-se feito esforços enormes para resolver o flagelo da guerra entre os homens. Mas o problema básico não é a guerra e paz entre os homens, ele está muito mais fundo do que isso. O problema é o próprio homem. O homem é pecador. O pecado é removido e o caminho se abre para a restauração do paraíso. Como isto é feito é o assunto deste livro.


“Venha o teu reino”


A indicação é bem clara na oração do “Pai Nosso”:


“Santificado seja o teu nome; Venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu” (Mateus 6:9 - 10)


A restauração do reino de Deus na terra só pode acontecer por “santificar” o nome de Deus e fazendo a Sua vontade na terra. O homem sozinho não pode concretizar isto. Sem a ajuda de Deus o homem se manterá em suas cadeias. A narrativa do Evangelho é as boas novas do reino de Deus e o nome de Jesus Cristo. Cristo é a resposta de Deus à necessidade humana, e através dele as bênçãos do Éden, e mais, serão restauradas neste planeta despedaçado e à deriva de Deus. Somente Cristo santificou totalmente o nome de Deus na terra e completamente fez a Sua vontade. Por isso, nele está a resposta chave para os problemas do homem como descobriremos com o desenrolar da história nestas páginas.


Enquanto que a própria terra terá que esperar o dia da salvação aquando do retorno de Cristo, homens e mulheres individuais podem encontrar o caminho da paz e tornarem-se herdeiros do futuro reino:


“Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo” (Romanos 5:1)


Os termos de rendição para rebeldes no reino do pecado e da morte estão claramente declarados nas palavras de Deus o Rei nas Escrituras. Deus dita os termos e faz isso com entendimento, misericórdia e justiça. É pior do que inútil os homens tentarem encontrarem a sua própria solução, mais uma vez coser folhas de figueira, como se para cobrir o seu pecado vergonhoso.


Existe um princípio simples enunciado na Bíblia:


“Mostrarei a minha santidade naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo.” (Levítico 10:3)


Quem lê isto pela primeira vez pode ter problemas com as palavras “santidade” e “santificado” e, ainda mais com a palavra “nome” usadas na expressão. “Santificado seja o teu nome”. Talvez umas poucas palavras serão de ajuda. Comecemos com “o teu nome” e continuaremos a partir daqui.


“O teu nome” é o nome de Deus, o nome de Deus não é simplesmente um meio de identificação como são os nomes dos homens. O nome de Deus, ou mais corretamente os Seus nomes, são revelações acerca d'Ele próprio e do Seu propósito. Por outras palavras, os nomes descrevem atributos divinos, o propósito divino e as promessas divinas.


Assim sendo, respeitar, honrar, santificar é expressar a crença nos atributos de Deus e no Seu propósito, e ter um desejo de se relacionar com estas coisas. Por outras palavras espera-se daqueles que usam o(s) nome(s) de Deus que partilhem as coisas que o nome representa como irão demonstrar os seguintes versículos:


“Não tomarás o nome do SENHOR, teu Deus, em vão” (Êxodo 20:7)


“Nem jurareis falso pelo meu nome” (Levítico 19:12)


“Se não tiveres cuidado de guardar todas as palavras desta lei, escritas neste livro, para temeres este nome glorioso e terrível, o SENHOR, teu Deus” (Deuteronómio 28:58)


“Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome” (Salmo 9:10)


“Guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.” (Salmo 23:3)


“O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor.” (2 Timóteo 2:19)


Os mesmos princípios se aplicam ao nome de Cristo. Quem quer que tome o nome de Cristo deve procurar ser como Cristo.


Os significados de alguns dos títulos de Cristo são óbvios e requerem pouca explicação. Por exemplo, quando o Senhor Jesus Cristo é chamado de Bom Pastor ou de Luz do Mundo, nos logo entendemos o significado. Mas existem nomes, ao contrário de títulos, que guardam segredos em si mesmos e são uma espécie de abreviação espiritual. Tome os nomes “Jesus” e “Cristo”: o que significam?


É comum dizer-se que “Jesus” significa “Salvador”. Embora isto seja uma parte da verdade, não é a verdade toda. O significado mais completo é, “O Senhor salva” ou, mais precisamente, “Ja Salva”, onde “Ja” é uma versão curta e enfática do nome de Deus no Antigo Testamento, “Javé”. A palavra “Jesus” é Grega e o seu equivalente Hebraico é “Josué”. Logo, embora seja verdade que Jesus é Salvador, a verdade completa é que Deus é o Salvador que providenciou Jesus para nos salvar.


A palavra “Cristo” no Novo Testamento é o equivalente de “Messias” no Antigo Testamento. Ambas palavras significam “Ungido”. Cristo é o ungido de Deus. Ele é Profeta, Sacerdote e Rei ungido de Deus. No seu batismo “Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder” (Atos 10:38). Na sua ressurreição, Jesus foi ungido com “o óleo de alegria, como a nenhum dos teus companheiros”. Como profeta viveu e proclamou o Evangelho; como sacerdote ele é o intercessor das orações dos fieis; como rei ele será revelado na terra como o ungido do Senhor.


Existe vários nomes de Deus na Bíblia, mas nós elegemos dois como referência especial: Deus Todo-Poderoso, e SENHOR Deus. Deus Todo-Poderoso é a tradução Portuguesa para duas palavras Hebraicas, El Shaddai. El é o substantivo singular para da palavra Deus e carrega o significado de poder, poderoso. Shaddai é plural e significa poderosos, ou talvez poderoso; está associado com fertilidade.. Mas como Deus Todo-Poderoso é usado na Bíblia indica-nos que o significado intencionado é mais do que poder e poderosos. O poder é usado para assegurar o cumprimento das promessas e julgamentos de Deus, e está associado com o exercício do poder de Deus em misericórdia para trazer bênçãos e fertilidade. O conceito mais importante é o da Paternidade de Deus pela qual gera os Seus filhos espirituais e promete-lhes uma herança eterna. Passagens úteis para ponderar são: Génesis 17:1 – 2; 28:3 – 4; 35: 11 -13; 2 Coríntios 1:3 – 4; 6:17 – 18; Apocalipse 15:3 – 4; 21:22.


Muito tem sido escrito e conjeturado acerca da palavra SENHOR. Ela representa as letras Hebraicas YHWH que quando recebem vogais tornam-se em Português na palavra Jeová ou Javé, sendo a última a mais correta provavelmente. Nas nossas Bíblias em Português é representada por SENHOR (embora esta prática não seja seguida neste livro) e, ocasionalmente por Jeová e Ja. A palavra aparece logo desde os primeiros capítulos da Bíblia mas recebe especial proeminência no tempo quando Moisés é escolhido por Deus para conduzir a acabada de nascer, nação de Israel, para fora da escravidão do Egito. Javé não é meramente o nome para um deus tribal como alguns nos fariam crer.


Não há nada de oculto ou misterioso sobre o Nome. É derivado de um verbo simples, que é traduzido em nossas Bíblias como “Eu SOU”(Êxodo 3:14). Essas duas palavras simples fazem referência suprema ao Deus absolutamente auto-existente. Mas Deus é sempre existente e as margens de algumas Bíblias indicam que “EU SOU” pode também ser traduzido como “Eu serei”. Esta última tradução combina com a própria explicação de Deus sobre o Nome como “o meu nome para sempre”. SENHOR (YHWH) é um substantivo derivado da palavra “eu serei” e carrega o significado de “Aquele que será”.


Além disso, Javé também inclui em si todos os atributos divinos (cf. Êx 34:6,7) e porque ele é usado quando são dadas todas as promessas mais importantes (ver Génesis 3:14 -15; 8:21 - 22; 12:1-3, 7; 13:14 - 15; 15:18, 22:15 - 18, 26:2 - 4, 28:13-15; 1 Crónicas 17:7 - 14, Salmo 110, Isaías 9:6 - 7; 53:1-12, etc.) Javé é o nome de aliança pelo qual o crente era vinculado às promessas e
herança da vida eterna na vinda do reino de Deus. Tome, por exemplo, o seguinte:


“Então, os que temiam ao SENHOR falavam uns aos outros; o SENHOR atentava e ouvia; havia um memorial escrito diante dele para os que temem ao SENHOR e para os que se lembram do seu nome. Eles serão para mim particular tesouro, naquele dia que prepararei, diz o SENHOR dos Exércitos; poupá-los-ei como um homem poupa a seu filho que o serve.” (Malaquias 3:16 - 17)


Qual é então o significado de “SENHOR Deus”? A palavra elohim traduzida literalmente significa: os poderosos. Elohim é usado apara o próprio Deus, para os seus anjos, por juízes nomeados por ele e, em um caso, para o povo de Israel que recebeu a palavra de Deus. Resumidamente, elohim é usada para Deus ou para pessoas especiais com poderes e autoridade dadas por Ele. “SENHOR Deus” então poderia ser traduzido como “Aquele que será poderosos”. Isso é útil quando aprendemos do Senhor Jesus Cristo, que Êxodo 3:15, é na verdade, a promessa de Deus de dar a vida eterna aos fiéis pela ressurreição dos mortos (veja Mateus 22:31 - 32 e Lucas 13:28 - 29). Os fiéis então, de fato serão, "filhos do poder", como um escritor descreveu num hino os filhos da ressurreição.


A primeira etapa no cumprimento desta maravilhosa promessa foi a ressurreição do Senhor Jesus Cristo. A próxima etapa será a ressurreição aquando de sua segunda vinda (sobre a qual mais será dito mais adiante neste livro). As promessas que Deus fez em seu antigo nome Javé iniciaram o seu grande cumprimento quando Deus tornou-se conhecido em plenitude como Pai pelo nascimento de seu Filho da Virgem Maria.


Por isso, quando oramos: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu”, estamos, de fato, orando para o cumprimento de tudo o que está no nome do SENHOR no Antigo Testamento feito resplendor
na Paternidade de Deus em Cristo e na filiação do Filho do Pai.


Foi esta confiança no Seu nome e a santificação da vida diária que o Senhor Deus buscava no homem que Ele tinha criado e, particularmente, naqueles que sobreviveram ao dilúvio e estavam agora se espalhando sobre a face da terra depois da confusão de línguas em Babel. Havia, no entanto, pouca esperança que um piedoso remanescente sobrevivesse num mar de maldade. Mais tarde ou mais cedo eles seriam engolidos e teriam desaparecido.


Portanto, Deus tomou medidas especiais para garantir a preservação da Palavra de Deus na terra. O processo foi único e maravilhoso. Era uma ilustração do que fez o apóstolo Paulo exclamar com admiração e adoração, quando ele veio a conhecer a verdade em Jesus: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos!” (Romanos 11:33).


Havia poucos nos primeiros passos para indicar o quão eficaz seriam as medidas especiais de Deus para a preservação da Sua Palavra na terra. Ele escolheu o homem Abraão, a quem já considerados e, em seguida prometeu que o bem-estar da sua descendência teria sempre a preocupação de Deus.

Na prática, isso se desenrolou de uma forma notável. Os descendentes de Abraão foram os filhos de Israel, mais tarde conhecidos como os judeus, e Ele lhes deu a Sua Palavra revelada na forma escrita como nunca havia feito antes. Os judeus tornaram-se os beneficiários e guardiões da Palavra de Deus. Por esta razão, eles carregaram responsabilidades especiais. Deus deixou-lhes bem claro que Ele iria intervir diretamente nos assuntos da nação para trazer bênçãos para a obediência e maldições para a desobediência para com ele. Foi como que Deus tivesse feito um posto avançado para Si mesmo entre os homens, nesta altura em uma nação que levava a tocha da Sua Palavra e o núcleo das bênçãos para o mundo inteiro.


Israel foi confiado com o depósito da Palavra de Deus. Deus prometeu-lhes que jamais seriam destruído como povo e assim a Sua Palavra permaneceria:


“São israelitas. Pertence-lhes a adoção e também a glória, as alianças, a legislação, o culto e as promessas; deles são os patriarcas, e também deles descende o Cristo, segundo a carne.” (Romanos 9:4 - 5)


Existem no mundo tantas ideias a respeito da lida de Deus com os judeus, como há nações, e essas ideias continuam a exercitar as mentes dos homens à medida que avançamos no século XXI. Não há
nação na terra que provocasse mais reação e reflexão que este povo aparentemente insignificante. Esperamos ver alguns aspetos deste assunto intrigante mais tarde. Enquanto isso, realçamos que foi a escolha de Deus desenrolar o Seu plano desta forma. Deixado nas mãos dos homens não restaria nada além de trevas avassaladoras.


A partir disso, concluímos que é a melhor maneira para as coisas boas que Deus tem em mente. Deus não estava tentando destruir a esperança, mas preservá-la; não para destruir o homem, mas para entregar um remanescente de felicidade eterna na terra feitos todo-gloriosos.


De tempo em tempo os homens têm sugerido que o grau de privilégio aparentemente concedido aos descendentes de Abraão deve significar um grau correspondente de injustiça para o resto do mundo. Este raciocínio contém uma falha fatal. Assume que se Deus tivesse deixado à humanidade em geral preservar a Sua Palavra, tudo teria ido bem. Isto não é assim. Deus já tinha feito isso duas vezes na história do mundo, e resultou na maldade consolidada do homem que é destrutiva para a Palavra e caminhos de Deus. Daí o dilúvio e a Torre de Babel, como já foi discutido. Portanto, Deus escolheu o método de fazer uma nação os guardiões da Sua Palavra e tomar medidas especiais para preservar a nação para garantir a sobrevivência de sua Palavra.


Outra objeção tem sido levantada em momentos diferentes; esta, também, baseada numa premissa falsa. Se, como nos diz a Bíblia, os judeus foram escolhido como povo de Deus, porque persiste Ele nessa escolha mesmo quando os judeus se provaram indignos Dele? Em resposta a isto, devemos primeiro livrar-nos da auto-justificação, que podem estar por trás da questão. A sugestão é que se Deus tivesse escolhido alguma outra nação, eles teriam feito melhor do que os judeus. Contudo, não há nenhuma prova disto. Com efeito, sabendo da pecaminosidade do homem, deve ser evidente que qualquer outra nação teria seguido os a sua própria vontade como fizeram os judeus.


Não, não foi a bondade dos judeus que determinou a escolha de Deus, foi a Sua graça. Além disso, não era que Deus quisesse criar uma elite exclusiva, mas sim que o povo escolhido fosse o meio para trazer as bênçãos de Deus a todos: “Em ti todas as famílias da terra serão abençoadas.” Eram para ser o portão através do qual todos pudessem vir a aprender de Deus. Foram os judeus que virados para dentro de si mesmos usaram a sua exclusividade para a desvantagem dos outros. Mesmo assim, no final, através deles pelo Senhor Jesus Cristo, Deus abriu as portas da salvação a todos os que haveriam de entrar.


Sob a orientação e proteção de Deus aos filhos de Israel foram tirados do Egito sob a liderança de Moisés. Eles tinham viajado para o Egito centenas de anos antes, num período de fome, quando eles eram muito poucos em número. Este foi o início da nacionalidade de um povo outrora cativos e oprimidos. Moisés falou-lhes a palavra de Deus e, assim, e assim estabeleceu a a base espiritual
para a lei e ordem. No devido tempo, pela inspiração de Deus, Moisés escreveu o que hoje conhecemos como os cinco primeiros livros da Bíblia, o Pentateuco, no qual temos um registo dos mandamentos de Deus e relação com os homens, desde os dias da criação até ao dia em que Moisés disse adeus ao seu povo sobre as fronteiras da terra de Canaã.

Enquanto isso, no deserto, havia sido constituído pela tutela de Moisés, e por ordem direta e revelação de Deus, um sistema de adoração que persistiria até o dia do Senhor Jesus Cristo, e alguns dos seus elementos essenciais permanecem no Evangelho. A estrutura de tenda do Tabernáculo com o seu pátio de paredes de linho, suas ordenanças e sacerdócio, tornou-se o foco da vida religiosa. Na verdade, era o foco de toda a vida, porque as leis de Deus regiam todos os aspetos da vida, e teria trazido bem indescritível a Israel se procurassem segui-la. Os princípios da lei e da ordem, de vizinhança, de herança da terra e de uma vida espiritual feliz, com festas regulares de alegria e louvor teria-os feito excepcionalmente abençoados. As bênçãos resultariam em bênçãos para todos os povos.


Mesmo quando, mais tarde, em condições de possessão da terra, o tabernáculo foi substituído por um templo sólido, os mesmos princípios e culto foram continuados. Não é que a igreja e o estado estivessem em parceria, como acontece em alguns países ocidentais; as pessoas eram o estado e estavam na congregação do Senhor. A vida civil e espiritual eram aspetos gémeos de uma existência. Era a lei do Senhor, que deveria ter governado tudo. O terra era Dele, as leis eram Dele, as pessoas eram Dele, e, embora não o confessassem, Ele era o seu Rei. Foram, ainda que imperfeitamente, um reino de Deus; na verdade, eles eram o reino de Deus já que não havia nenhuma outra nação sob tal governo.


O Trono de David


Quando nos dias de David e Salomão, o reino atingiu o seu zénite e o velho sistema de juízes foi substituído por um rei visível, ficou explícito que este arranjo era conhecido por Deus como o Seu
reino:


“De todos os meus filhos... o SENHOR, escolheu ele a Salomão para se assentar no trono do reino do SENHOR, sobre Israel.” (1 Crónicas 28:5)


Não só tinha sido adicionado um rei visível, houve também uma cidade capital escolhida por Deus, Jerusalém. O monarca terreno governava para Deus.


Havia dois principais pontos fracos deste reino – o povo e o rei terrestre. Estes dois compartilhavam uma fraqueza comum, a fragilidade humana. Por esta razão, esta fase do reino de Deus não poderia
subsistir. O pecado e a morte reinaram mesmo no reino de Deus. A rebelião humana ergueu a cabeça várias vezes, e o verdadeiro culto a Deus ficou contaminado com idolatria de todo o tipo.


No início da sua história, a nação tinha sido dividida em dois reinos. Um deles ficava a norte com a capital em Samaria. Tinha a fidelidade de dez tribos, e foi também conhecido como Israel, Efraim
e Samaria. O outro reino estava a sul, e era conhecido como Judá. Tinha duas tribos, mas manteve a capital, Jerusalém, e, com ela o templo.


Em ambos os reinos o Senhor pediu ao seu povo que abandonasse os outros deuses, e retornasse a ele. Os Seus profetas testemunharam, e exortaram e advertiram, sem cessar. O reino do norte nunca teve um rei justo, e o seu culto foi inteiramente idólatra com um sacerdócio ímpio e falso. Finalmente, quando não havia mais remédio, Deus, segundo a Sua Palavra entregou-os nas mãos dos Assírios, que os levaram cativos e transportaram-nos para o seu império. Como nação, nunca mais regressaram.


Enquanto isso, lá no sul, Judá foi um pouco melhor. Alguns dos seus reis foram bons e, às vezes eles adoravam como era devido. Mas no final a corrupção tomou conta deles. Deus advertiu-os e
lembrou-lhes o que havia acontecido com o seu reino irmão do Norte: tudo em vão. Enquanto os exércitos da Babilónia estavam no processo de invasão e destruição, Deus fez com que o Seu profeta Ezequiel entregasse esta denúncia ao último rei de Judá, Zedequias:


“E tu, ó profano e perverso, príncipe de Israel, cujo dia virá no tempo do seu castigo final;

assim diz o SENHOR Deus: Tira o diadema e remove a coroa; o que é já não será o mesmo; será exaltado o humilde e abatido o soberbo.Ruína! Ruína! A ruínas a reduzirei, e ela já não será, até que venha aquele a quem ela pertence de direito; a ele a darei.” (Ezequiel 21:25 – 27)

Aqui, enquanto o reino estava morrendo e as pessoas estavam sendo transportadas para a Babilónia em vagas sucessivas, as palavras de condenação continham uma semente de esperança. Quem viria para cumprir essas palavras luminosas: “Até que venha aquele a quem ela pertence de direito”? Quem de fato?


Zedequias, o último rei de Judá, viu os seus filhos morreram perante si e, em seguida, seus olhos foram cegados. Jerusalém foi destruída, as paredes foram quebradas e o seu templo queimado. Os cativos chegaram à Babilónia apertando no peito o livro precioso da revelação de Deus, mesmo aqueles livros que tinham predito a sua partida em cativeiro como um castigo pela infidelidade persistente e obstinada rebelião. O profeta que viu isso, disse:


“Como jaz solitária a cidade outrora populosa! Tornou-se como viúva a que foi grande entre as nações; princesa entre as províncias, ficou sujeita a trabalhos forçados!


Como o Senhor cobriu de nuvens, na sua ira, a filha de Sião! Precipitou do céu à terra a glória de Israel…!


Considerai e vede se há dor igual à minha, que veio sobre mim...”

(Lamentações 1:1, 2:1 e 1:12)
Bereano
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Re: Os Cristadelfianos - Em que acreditam e o que pregam

Mensagempor Bereano » Ter Jan 04, 2011 11:33 am

CAPÍTULO 7 - QUEM SERÁ O REI?

QUEM SERÁ O REI?

Se o reino de Deus de Israel estava condenado ao fracasso em virtude da pecaminosidade humana, como pode surgir alguma coisa melhor? Será que a solução está nas palavras intrigantes: “aquele a quem ela pertence de direito
”? As palavras foram ditas ao dissoluto rei Zedequias, no final do seu
reino. Se as palavras estivessem isoladas ficaríamos deixados à conjetura e, consequentemente, ficaria alguma dúvida sobre seu significado. Mas acontece, porém, que as palavras “aquele a quem ela pertence de direito”, são elas mesmas um eco de uma promessa antiga das Escrituras, uma que faz parte do fio de ouro que atravessa a Bíblia.

Recorde-se que o neto de Abraão, Jacó teve doze filhos, cujos nomes foram dados às doze tribos descendentes deles. Jacó morreu no Egito, mas antes desse evento, ele chamou os seus doze filhos e pronunciou bênçãos. Não há dúvida de que essas bênçãos foram profecias inspiradas por Deus esboçando algo do futuro para cada uma das tribos. Entre estas bênçãos está a seguinte promessa específica para a tribo de Judá:

“O cetro não se apartará de Judá, nem o bastão de comando de seus descendentes, até que venha aquele a quem ele pertence, e a ele as nações obedecerão.” (Génesis 49:10, N.V.I.)

“Aquele a quem ela(coroa) pertence” e “aquele a quem ele(cetro) pertence” têm uma semelhança entre si. Cada uma das citações fala de um rei que haveria de vir. A profecia em Génesis diz que aquele que é prometido viria da tribo de Judá. As palavra de Ezequiel foram dirigidas a um rei de Judá. Quem será esta personagem real? Como pode ser dito que ele tem o direito de reinar? O que podem significar as palavras “a ele as nações obedecerão”? A chave está nas palavras de Deus acerca da coroa: “a ele a darei”. O rei reinará por decreto divino.

Não se pode ler essas coisas ou refletir seriamente sobre elas sem sentir que são de grande importância para Israel e para as nações. Elas lembram-nos sobre as promessas feitas a Abraão.
Essas promessas, também, envolvem a descendência de Abraão e as nações gentias. Citamos mais uma vez as palavras da última promessa que Deus fez a Abraão:

“A tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra.” (Génesis 22:17 – 18)

É o descendente de Abraão a mesma pessoa que “a quem ela(coroa) pertence”, e “a quem ele(cetro) pertence”? Podemos colocar estas questões no contexto de uma Promessa Real feita ao rei David, que coloca as questões para além de dúvida. Aqui está o plano de fundo para a Promessa Real. David sabia que ele governava para Deus. Ele tinha um aguçado sentido de serviço a este respeito e, acima de tudo ele queria ver a verdadeira adoração de Deus florescer no reino. A essa altura, David
tinha construído uma casa de cedro em Jerusalém e, aparentemente de consciência pesada, queria construir um local permanente para o culto do tabernáculo ao colocar a arca da aliança numa estrutura sólida. O rei foi impedido de prosseguir esta obra, embora louvável que pudesse ser, pelas palavras do profeta do Senhor, entre as quais se encontra o seguinte:

“Farei levantar depois de ti o teu descendente, que será dos teus filhos, e estabelecerei o seu reino. Esse me edificará casa; e eu estabelecerei o seu trono para sempre... O confirmarei na minha casa e no meu reino para sempre, e o seu trono será estabelecido para sempre.”
(1 Crónicas 17:11 – 14).

Esta é a aliança de Deus com David, e corresponde em importância com a que é feita a Abraão. Na realidade, juntas elas formam a aliança na sua totalidade, porque elas incluem o grande propósito de Deus, descrito no Novo Testamento como as coisas “a respeito do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo”. Temos agora os seguintes elementos nestas promessas acerca do rei:

Ele...

possuirá a cidade dos seus inimigos;
trará bênçãos sobre todas as nações da terra. (Génesis22:17, 18)

é aquele a quem ele(cetro) pertence. (Génesis 49:10)

é descendente de David. (2 Samuel 7:12)

reinará sobre o reino de Deus. (2 Crónicas 17:14)

é aquele a quem ela(coroa) pertence de direito. (Ezequiel 21:27)

Além disso, sabemos que este rei vitorioso não tinha chegado até à época em que Zedequias foi deposto por Deus e entrou em cativeiro. Ele ainda estava por vir. A esperança da vinda do Rei foi
acarinhada pelos cativos na Babilónia. Os homens fiéis refletiam sobre as promessas de Deus e ansiavam pelo seu cumprimento. Entre estes homens de esperança estava o bem conhecido profeta Daniel. Não tão bem conhecido é um notável sonho dado por Deus em que Daniel estava envolvido como intérprete. O sonho era uma ante-visão de acontecimentos históricos importantes. As circunstâncias em que aconteceu foram as seguintes.

Cerca de seis séculos antes de Cristo, Nabucodonosor era rei na Babilónia, e a sua glória e império eram amplios. Ele se questionava sobre o que aconteceria aos seus vastos reinos após a sua morte.
O seu sono foi perturbado por um sonho muito vívido que tanto o impressionou que ele acreditava que tinha algum significado para ele. Na manhã seguinte, reuniu os seus encantadores, feiticeiros e astrólogos, e apresentou-lhes uma tarefa impossível. Ele disse que tinha tido um poderoso sonho, mas tinha esquecido do que se tratava. Será que eles poderiam dizer-lhe o sonho? e também a sua interpretação? Os sábios ficaram confusos. As exigências do rei não lhes deixou nenhuma margem para a sua habitual fantasia baseada em ideias que lhes eram apresentadas. Ele não lhes disse nada, e os ameaçou de morte caso eles falhassem na sua missão!

O sonho e as suas consequências eram de Deus. Ele tinha criado a ilustração perfeita da impotência do homem para recordar o passado que não era conhecido ou delinear o futuro desconhecido. A sabedoria dos sábios tinha sido reduzida a nada.

Entre os sábios estava Daniel. Ele tinha sido direcionado para as suas fileiras quando ele estava preso. Daniel aproximou-se do comandante da guarda do rei e pediu a suspensão da execução. Enquanto isso, ele e os seus três companheiros judeus procuraram a ajuda do Senhor em oração, e a Daniel foi revelado tanto o conhecimento do sonho assim como o seu significado. Estes então foram dados a conhecer por Daniel na presença do rei, cuja surpresa deve ter aumentado, enquanto ouvia a descrição lúcida do sonho e a sua interpretação parte por parte.

O Sonho de Nabucodonosor

O rei no seu sonho, tinha visto uma estátua metálica brilhante e assombrosa de um homem. A cabeça era de ouro, os braços e tórax eram de prata, o ventre e as coxas eram de bronze, as pernas eram de ferro, e os pés eram uma mistura de ferro e de barro. Dentro deste cenário estático foi
injetado um drama maior. Uma pedra do lado da montanha projetou-se através do ar, sem intervenção humana, e feriu a estátua nos seus pés.

A estátua caiu no chão e foi quebrada em pedaços. A pedra então reduziu todas as peças a pó que foi então levado pelo vento. A pedra foi deixada sozinha e depois cresceu e cresceu até que encheu toda a terra.

Não admira que Nabucodonosor sentisse que o sonho teria algum significado! Daniel começou a revelar o significado da imagem e da Pedra como Deus lhe tinha revelado. Resumidamente, o sonho era um panorama da história do mundo até o momento em que o reino de Deus seria estabelecido na terra. E termina assim:

“Nos dias destes reis, o Deus do céu suscitará um reino que não será jamais destruído; este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos estes reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre.” (Daniel 2:44)

Grande parte da história era em relação à terra de Israel e as nações ao seu redor, especialmente os impérios que dominaram o Oriente Médio. Três partes da imagem são interpretadas no livro: a cabeça de ouro representava a Babilónia (Daniel 2:31), os braços e peito de prata representavam o império Medo-Persa (Daniel 8:20), e a parte inferior do corpo e as coxas retratavam o império Grego de Alexandre o Grande (Daniel 8:21). Daqui resulta que as pernas devem ter simbolizado o império seguinte, o que se seguiu aos gregos. Este deve ser o império Romano, cuja importância para o mundo ocidental, seria difícil sobrestimar. Talvez as pernas representassem as seções oriental e ocidental do império. E que dizer então dos pés de ferro e barro?

Quando o império Romano desapareceu não houve império que o sucedesse que abrangesse a mesma medida do seu território. Apareciam impérios de vez em quando, mas nenhuma se aproximou de Roma em importância ou em extensão dos seus territórios. De fato, podemos concluir a partir do sonho que segundo a intenção de Deus nenhum império se lhe seguiria.

No entanto, de passagem, deve-se notar que, embora as partes da imagem sejam sucessivas, de acordo com a interpretação, também representam na totalidade “os reinos dos homens”. É bem possível que, de alguma forma, não revelada no sonho, elas terão algum tipo de coerência no momento em que a pedra fere a estátua. Analisaremos este raciocínio mais à frente no capítulo.

Nabucodonosor, deve ter ficado muito satisfeito por ter o seu sonho reconstruído por Daniel e através da interpretação olhar o futuro através do corredor do tempo. Houve, no entanto, um aspecto
do sonho que, embora seja claramente de grande importância, não foi totalmente desenvolvido por Daniel. A pedra representa quem ou o quê?

No sonho, a pedra era o poderoso meio pelo qual o reino de Deus na Terra, iria ser estabelecido. Digamos de uma vez que a pedra é Cristo. Sabemos isto porque Cristo aplica o título a si mesmo. Na última semana da sua vida, quando ele estava sendo pressionado por todos os lados pela intenção dos governantes judaicos em destruí-lo, Cristo proferiu uma parábola falando da próxima queda do estado vassalo judaico por causa das suas repetidas rejeições da Palavra de Deus. Os governantes perceberam o significado da parábola e com veemência se opuseram a ela. Cristo, então, perguntou-lhes a questão devastadora:

“Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa veio a ser a principal pedra, angular; isto procede do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos?” (Mateus 21:42; Salmo 118:22 -23)

Os governantes eram os supostos construtores de Israel, mas eles não conseguiam encaixar Cristo
na sua estrutura. Cristo estava dizendo a eles que era a estrutura que iria cair, mas a Pedra que eles estavam rejeitando era a pedra fundamental da obra de Deus! Cristo é a Pedra.

Cristo era a pedra preparada “sem auxílio de mãos” (como lemos em Daniel 2:34). Na verdade, ele veio da montanha da humanidade, mas ele foi “cortado sem auxílio de mãos”, pois ele não tinha pai humano, era o Filho de Deus. Mais do que isso: ele foi ressuscitado dentre os mortos pelo mesmo poder divino e concedido o dom da imortalidade pelo Pai. Além disso, quando ele voltar a esta terra, como ele seguramente o fará, o tempo será da escolha de Deus:

“Ao qual(Jesus) é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade.”
(Atos 3:21)

Cristo o Rei

Esse é o momento em que Deus irá restaurar o Seu reino na Terra. Não há ensino mais claro em toda a Bíblia do que aquele que nos fala sobre o Reino mundial de Deus a ser estabelecido na terra com Cristo como rei. Esta tem sido a esperança dos fiéis ao longo dos tempos. Veja esta impressionante ainda que pequena seleção das Escrituras sobre este tema:

“Aquele que domina com justiça sobre os homens, que domina no temor de Deus, é como a l uz da manhã, quando sai o sol, como manhã sem nuvens, cujo esplendor, depois da chuva, faz brotar da terra a erva. Não está assim com Deus a minha casa(diz David)? Pois estabeleceu comigo uma aliança eterna, em tudo bem definida e segura. Não me fará ele prosperar toda a minha salvação e toda a minha esperança?” (2 Samuel 23:3 - 5)

“Ele me invocará, dizendo: Tu és meu pai, meu Deus e a rocha da minha salvação.
Fá-lo-ei, por isso, meu primogênito, o mais elevado entre os reis da terra.” (Salmo 89:26 - 27)
“Julgue ele com justiça o teu povo e os teus aflitos, com eqüidade... salve os filhos dos necessitados e esmague ao opressor... Floresça em seus dias o justo, e haja abundância de paz até que cesse de haver lua... todos os reis se prostrem perante ele; todas as nações o sirvam... Subsista para sempre o seu nome e prospere enquanto resplandecer o sol; nele sejam abençoados todos os homens, e as nações lhe chamem bem-aventurado.”
(do Salmo 72)

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o seu governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino, para o estabelecer e o firmar mediante o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isto.” (Isaías 9:6 –7)

“A lua se envergonhará, e o sol se confundirá quando o SENHOR dos Exércitos reinar no monte Sião e em Jerusalém; perante os seus anciãos haverá glória.” (Isaías 24:23)

“Irão muitas nações e dirão: Vinde, e subamos ao monte do SENHOR e à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e a palavra do SENHOR, de Jerusalém. Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra.” (Isaías 2:3 – 4)

“Naquele tempo, chamarão a Jerusalém de Trono do SENHOR; nela se reunirão todas as nações em nome do SENHOR.” (Jeremias 3:17)

“Eis que vêm dias, diz o SENHOR, em que levantarei a Davi um Renovo justo; e, rei que é, reinará, e agirá sabiamente, e executará o juízo e a justiça na terra. Nos seus dias, Judá será salvo, e Israel habitará seguro; será este o seu nome, com que será chamado: SENHOR, Justiça Nossa.” (Jeremias 23:5 - 6)

“O SENHOR será Rei sobre toda a terra; naquele dia, um só será o SENHOR, e um só será o seu nome.” (Zacarias 14:9)

“Maria, não temas...Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus. Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai; ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.” (Lucas 1:30 - 33)

“Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e, então, retribuirá a cada um conforme as suas obras.” (Mateus 16:27)

“Quando vier o Filho do Homem na sua majestade e todos os anjos com ele, então, se assentará no trono da sua glória.” (Mateus 25:31)

“Quando do céu se manifestar o Senhor Jesus com os anjos do seu poder, em chama de fogo, tomando vingança contra os que não conhecem a Deus e contra os que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus. Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder, quando vier para ser glorificado nos seus santos e ser admirado em todos os que creram.” (1 Tessalonicenses 1:7 - 10)

“Porque foste morto e com o teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra.” (Apocalipse 5:9 - 10)

“Bem-aventurado e santo é aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre esses a segunda morte não tem autoridade; pelo contrário, serão sacerdotes de Deus e de Cristo e reinarão com ele os mil anos.” (Apocalipse 20:6)

“O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve no céu grandes vozes, dizendo: O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos... Graças te damos, Senhor Deus, Todo-Poderoso, que és e que eras, porque assumiste o teu grande poder e passaste a reinar. Na verdade, as nações se enfureceram; chegou, porém, a tua ira, e o tempo determinado para serem julgados os mortos, para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, tanto aos pequenos como aos grandes, e para destruíres os que destroem a terra.” (Apocalipse 11:15 – 18)

Estas passagens devem ser lidas e relidas. Elas contêm tanto das promessas proféticas de Deus, especialmente aquelas dadas a Abraão e David. Cristo é o rei designado por Deus. Deus lhe dará o trono de David em Jerusalém; e no seu retorno à terra, Cristo reinará sobre o Reino de Deus na
terra no tempo em que a ressurreição e o julgamento terão lugar. Aqueles que receberem a imortalidade das mãos do Senhor Jesus Cristo, o Juiz, reinarão com ele no Reino de seu Pai na
terra.

Além disso, a partir das Escrituras, sabemos que o início deste reino terá lugar num momento de dificuldade mundial. O poder irresistível e justo de Cristo repreenderá o ímpio e removera a opressão entre as multidões da terra. A Pedra ferirá os reinos dos homens, a fim de acabar com a velha ordem mundial e trazer a majestade e bênçãos de Deus a um mundo de pecado e sofrimento.
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